Candidato a deputado estadual defende mudança no formato dos eventos, maior participação do setor produtivo e valorização da cultura e das tradições ligadas ao campo
O candidato a deputado estadual Zé Filho defendeu uma mudança no modelo das feiras agropecuárias realizadas no Acre e afirmou que eventos apoiados pelo poder público precisam ter como prioridade o produtor rural, a geração de negócios, o fortalecimento da economia e a valorização das tradições ligadas ao campo.
Produtor agropecuário, natural de Tarauacá e realizador de três feiras consecutivas no município, Zé Filho levantou o debate após o encerramento da ExpoTarauacá 2026. Entre os eventos promovidos por ele está a Tarauacá Rural Show, realizada no ano passado, que reuniu produtores, empreendedores e público em uma programação voltada à produção, aos negócios e às tradições locais.
Para ele, a experiência mostrou que é possível conciliar geração de negócios, entretenimento e valorização da cultura ligada ao campo sem retirar do produtor rural o protagonismo da feira.
“Feira agropecuária não pode ser um grande show com o produtor rural colocado como coadjuvante. O produtor, a agricultura familiar, a pecuária, as associações e quem gera renda no campo precisam estar no centro da feira. O entretenimento pode existir, mas não pode ser maior que a própria razão de existir do evento”, afirmou.
A ExpoTarauacá reuniu milhares de pessoas durante quatro dias e contou com rodeio, atividades equestres, espaços comerciais e programação cultural. Os shows nacionais, entretanto, ocuparam posição de destaque na programação, com apresentações de Panda, João Lucas & Marcelo, Samuel Mariano, MC Daniel e Léo Magalhães.
Zé Filho também chamou atenção para os problemas enfrentados simultaneamente pela população do município. Neste período, estudantes da zona rural denunciaram que estavam havia semanas sem frequentar as aulas devido à interrupção do transporte escolar fluvial.
“É uma questão de prioridade. Não somos contra festa e não somos contra entretenimento. O que precisamos discutir é como o dinheiro público é aplicado e qual legado fica quando a estrutura é desmontada e o último show termina. Uma feira agropecuária precisa deixar negócios, oportunidades e renda para quem produz”, disse.
O encerramento da ExpoTarauacá também acabou marcado por episódios que ganharam repercussão estadual. Um vídeo mostrou o prefeito Rodrigo Damasceno sendo contido durante uma confusão na área próxima ao palco do show de Léo Magalhães. O episódio levou uma vereadora do município a cobrar esclarecimentos públicos do gestor.
Na madrugada seguinte, três pessoas morreram em um grave acidente na BR-364, entre Tarauacá e Feijó. O motorista envolvido, que ocupava cargo de assessor especial da Casa Civil do Governo do Acre, admitiu à Polícia Civil ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir. Ele foi preso em flagrante e posteriormente exonerado do cargo.
Para Zé Filho, os episódios reforçam a necessidade de discutir não apenas a realização de grandes eventos, mas também organização, responsabilidade e, principalmente, prioridades.
Experiência e valorização das tradições
Zé Filho destaca que um novo modelo passa também pela valorização das tradições que fazem parte da identidade das feiras agropecuárias, como o rodeio, a cavalgada, os peões e as provas equestres.
Na feira realizada no ano passado, segundo ele, foram destinados R$ 25 mil à premiação do rodeio e um profissional ligado à modalidade foi levado ao município para conduzir a competição. O campeão do rodeio conquistou ainda a oportunidade de representar o Acre em Barretos (SP), uma das principais referências do rodeio brasileiro.
“Quando valorizamos o rodeio, a cavalgada, nossos peões e as provas equestres, estamos valorizando uma cultura que faz parte da história do nosso povo. Fizemos isso mesmo com recursos limitados. Imagine o que podemos construir tendo estrutura, planejamento e condições para realizar uma grande feira pensada desde o início para quem produz e para a nossa cultura”, ressaltou.
Novo modelo para o Acre
Zé Filho defende que as exposições agropecuárias acreanas tenham participação mais efetiva das entidades representativas do setor produtivo, sindicatos rurais, produtores, associações, cooperativas e iniciativa privada, em parceria com prefeituras e Governo do Estado.
A proposta é construir um modelo no qual a programação seja organizada a partir da atividade econômica: exposição e comercialização de animais, agricultura familiar, máquinas e implementos, crédito rural, tecnologia, capacitação, rodadas de negócios, agroindústrias e comercialização da produção.
“Queremos inverter a lógica. Primeiro vem o produtor. Primeiro vem quem planta, cria, emprega e movimenta a economia. A festa complementa a feira, e não a feira complementa a festa”, afirmou.
É justamente a experiência acumulada na realização das feiras em Tarauacá que, segundo Zé Filho, sustenta sua defesa por uma mudança mais ampla. Candidato a deputado estadual, ele afirma que o projeto político do qual participa busca criar condições para que esse modelo possa ser fortalecido, com recursos, planejamento e participação efetiva do setor produtivo.
“Queremos ter condições de fazer ainda mais. Estamos em um projeto político justamente para transformar essa experiência em política pública, com Alan Rick no Governo do Estado e representação na Assembleia Legislativa. Feira agropecuária precisa gerar negócio, fortalecer quem produz e preservar nossas tradições. O show pode fazer parte da festa, mas não pode ser maior que a feira”, concluiu Zé Filho.
