Em ato de campanha à reeleição, presidente afirmou que os impactos sociais das apostas devem prevalecer sobre a arrecadação e os contratos de patrocínio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende acabar com as plataformas de apostas on-line no Brasil. A declaração foi feita na noite desta sexta-feira (18), durante um ato de campanha à reeleição realizado em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse país”, declarou Lula. Durante o discurso, o presidente classificou as apostas on-line como um grave problema social e destacou os efeitos do vício sobre jovens e famílias de baixa renda.
Lula relatou ter conversado com uma jovem que teria tentado tirar a própria vida três vezes em razão de problemas relacionados às apostas. Segundo o presidente, muitas pessoas começam a jogar acreditando que terão lucro, mas acabam acumulando dívidas e comprometendo a renda familiar.
O petista também afirmou que as apostas não devem ser tratadas apenas como entretenimento. Para Lula, o crescimento das plataformas transformou o jogo em um problema de saúde pública, marcado pelo endividamento e pela ludopatia.
Reação dos clubes
A declaração ocorreu em meio à reação de clubes de futebol contra a possibilidade de o governo editar uma medida provisória para restringir ou proibir a atuação das casas de apostas no país.
Clubes como Flamengo e Corinthians participaram de uma mobilização em defesa da permanência das empresas no mercado regulamentado. As entidades sustentam que os contratos de patrocínio representam uma fonte importante de receita para o futebol brasileiro.
Estimativas apresentadas pelo setor indicam que os clubes podem perder aproximadamente R$ 1 bilhão por ano em patrocínios. Representantes das empresas também alertam para uma possível redução de investimentos e para o crescimento de plataformas clandestinas caso ocorra uma proibição completa.
Lula rebateu o argumento de que o fim das bets poderia prejudicar o futebol brasileiro. O presidente lembrou que clubes como São Paulo, Santos, Grêmio, Flamengo e Corinthians conquistaram títulos nacionais e internacionais antes da chegada dos patrocínios das casas de apostas.
“Eu posso perder imposto. O que eu não posso perder é a vida dos jovens jogando”, afirmou o presidente durante o evento.
Proposta ainda está em discussão
O mercado de apostas de quota fixa foi regulamentado pela Lei nº 14.790, sancionada em 2023. A legislação estabeleceu regras para autorização, tributação, fiscalização, publicidade e proteção dos consumidores.
Apesar da promessa feita por Lula, o governo ainda não apresentou o texto definitivo da medida. Uma eventual proibição também dependerá da análise do Congresso Nacional.
Enquanto os clubes e as empresas defendem a manutenção do mercado regulamentado, entidades ligadas à saúde e à proteção dos consumidores pedem regras mais duras contra propagandas, patrocínios e jogos considerados de alto risco.
O debate coloca de um lado as receitas provenientes de impostos e contratos esportivos e, do outro, os impactos das apostas sobre o endividamento, a saúde mental e a renda das famílias brasileiras.
