A operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) deflagrada no dia 5 de junho na Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex), no Acre, gerou indignação entre moradores e autoridades políticas locais. Produtores rurais denunciam abusos e uso excessivo da força durante ações que resultaram na apreensão de animais e ameaça de despejo de famílias inteiras.
A denúncia ganhou força na terça-feira, 10, durante sessão da Câmara Municipal de Rio Branco, onde os vereadores Aiache (PP) e Éber Machado (MDB) utilizaram a tribuna para denunciar o caso e cobrar providências imediatas das autoridades estaduais e federais.
Segundo relatos apresentados pelos vereadores, pequenos agricultores como Josenildo Mesquita tiveram suas propriedades invadidas por agentes do ICMBio acompanhados por forte aparato policial e militar, incluindo helicópteros e cerca de 15 caminhonetes. A propriedade de Mesquita, que produz cerca de 60 litros de leite por dia para sustentar sua família, foi escolhida como base operacional da ação.
“Eles chegaram de surpresa, mandaram sair de casa e disseram que nada ali era nosso, que era tudo do governo. Até os animais, que garantem o sustento da minha família, foram apreendidos”, afirmou Josenildo em depoimento exibido pelos vereadores.
O vereador Aiache classificou a ação como uma verdadeira “perseguição” contra quem luta diariamente para sobreviver no campo. “Eles agem como se fossem combater narcotraficantes ou facções, mas estão perseguindo quem acorda cedo para produzir alimentos. O pequeno produtor não tem culpa e não pode ser tratado dessa maneira”, criticou.
Éber Machado reforçou as críticas, afirmando que o ICMBio promoveu uma operação “cinematográfica e desproporcional” contra trabalhadores rurais indefesos. “Parece Venezuela, parece coisa de filme. O que aconteceu na Chico Mendes não é preservação ambiental, é perseguição pura contra pequenos produtores que lutam para colocar comida na mesa”, desabafou.
Os parlamentares também questionaram a ausência de representantes da bancada federal e estadual diante da gravidade da situação. Eles afirmam que recursos internacionais destinados à preservação ambiental, como os provenientes da Alemanha e da Inglaterra, deveriam ser aplicados para indenizar e apoiar esses agricultores, não para persegui-los.
Em resposta às denúncias, produtores rurais promoveram bloqueios intermitentes na BR-317, protestando contra a ação e pedindo diálogo urgente. A situação permanece tensa, com moradores afirmando que resistirão às ações caso não recebam suporte adequado das autoridades.
