Os parlamentares ainda acusam presidente da Câmara Municipal de mentir à população rio-branquense.
A aprovação do empréstimo de R$ 67 milhões solicitado pela Prefeitura de Rio Branco à Câmara Municipal acendeu o estopim de uma crise política no Legislativo da capital. A sessão, realizada de forma relâmpago e com pouca transparência, foi alvo de duras críticas por parte dos vereadores da oposição, que denunciaram manobras regimentais, exclusão da imprensa e ausência de debate público sobre o destino dos recursos.
Em discursos inflamados no plenário, os parlamentares apontaram “conduta autoritária”, “apagão democrático” e uma suposta submissão da Casa ao Executivo municipal, liderado pelo prefeito Tião Bocalom (PL). A sessão foi presidida por Joabe Lira (PP), que também passou a ser o principal alvo das críticas.
O vereador Neném Almeida (MDB) não mediu palavras ao classificar a condução da votação como “lesiva à população” e “um desrespeito à democracia”. Em tom de indignação, relatou que a convocação para a sessão foi enviada apenas 13 minutos antes do início, o que inviabilizou a presença da oposição. Para ele, a intenção foi clara: “calar a imprensa, os vereadores e principalmente o povo”.
“67 milhões não se pega na esquina. Tem coelho nessa cartola. Foi aprovado sem debate, sem transparência. A Casa está de joelhos para o prefeito. E o presidente faltou com a verdade”, disparou.
Em tom firme, o vereador André Kamai (PT) ressaltou que o projeto não teve qualquer debate técnico sobre mobilidade urbana ou política pública. “O empréstimo é um meio. A pergunta é: qual é a política pública? Quem vai gerir os ônibus? O relatório técnico é omisso. Essa Casa virou extensão do gabinete do prefeito”, afirmou. E completou: “Faltou coragem de discutir transporte público de forma séria. Só querem aprovar pacote fechado.”
Um dos discursos mais duros veio do vereador Éber Machado (MDB), que afirmou que o processo foi “ilegítimo, sem convocação das comissões técnicas”, e que os pareceres apresentados possuem vícios jurídicos e regimentais. “Essa Casa ontem se apequenou. Foi comandada por um ex-prefeito mentiroso e um líder comedor de filé”, disse, em referência indireta ao secretário Jonathan Santiago.
Machado alerta ainda para possível inconsistência do financiamento. “A vida útil dos ônibus é de 10 anos, mas o empréstimo é de 20. Quem vai pagar a sucata? Isso é calote planejado.”
Presidência sob pressão
O presidente da Câmara, Joabe Lira, foi citado por todos os parlamentares como responsável pela condução obscura da sessão. Eles afirmam que não houve reunião prévia, como alegado por Lira em entrevista, e que a base teria se reunido a portas fechadas, sem participação da oposição ou das comissões.
Neném Almeida chegou a dizer que o presidente “faltou com a verdade publicamente” e que sua postura representa uma submissão à vontade do Executivo.
Kamai também ironizou a liderança de Lira. “Coloquem uma cadeira extra no plenário para o verdadeiro líder, doutor Jonathan Santiago. Ele que comanda a Casa.”
Críticas convergem para a falta de debate e transparência
Apesar das diferenças partidárias, os vereadores da oposição reafirmaram que não são contra o empréstimo em si, mas sim contra a forma como ele foi aprovado: sem consulta pública, sem análise técnica, sem debate com a sociedade e com indícios de manobra regimental.
Eles prometem recorrer à Justiça e denunciar o processo como nulo, alegando que as comissões não foram convocadas de forma oficial e que os pareceres carecem de validade legal.
O que está em jogo?
A Prefeitura de Rio Branco afirma que o recurso de R$ 67 milhões será destinado à aquisição de ônibus para o transporte coletivo, com juros baixos e prazos estendidos. No entanto, não há plano público detalhado, nem garantias sobre quem vai operar os veículos, como será feita a licitação ou como será avaliado o impacto.
Com a polarização acirrada na Câmara, o debate ultrapassou os limites do financiamento e expôs a fragilidade institucional da Casa Legislativa diante de um Executivo cada vez mais autoritário.
