Com forte apelo humanitário e compromisso com a saúde pública, o vereador João Paulo Silva (Podemos) emocionou ao usar a tribuna para defender as vítimas da hanseníase no Acre. Ao lembrar os 44 anos do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Mohan), ele prestou solidariedade aos filhos separados dos pais pelo isolamento compulsório e cobrou reparação urgente do Estado.
“É muito fácil estar hoje numa cadeira confortável ouvindo essas histórias. Difícil é tê-las vivido”, disse, referindo-se aos relatos feitos por vítimas que foram arrancadas de suas famílias e cresceram à margem da sociedade.
Durante o pronunciamento, João Paulo anunciou a apresentação de um requerimento oficial solicitando que o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania dê celeridade à análise dos mais de 8 mil processos parados em Brasília. As ações são referentes à pensão vitalícia prevista pela Lei nº 11.520/2007, voltada a pessoas atingidas pelas medidas de segregação institucional praticadas até os anos 1980.
“Muitos dos beneficiários estão idosos e em situação de vulnerabilidade. Não se pode morrer esperando por um direito que já está previsto em lei”, reforçou.
O parlamentar também criticou a centralização do tratamento da hanseníase em unidades estaduais, defendendo a descentralização e a criação de unidades básicas de referência na capital. Segundo ele, é inadmissível que, em 2025, pacientes ainda precisem de longos deslocamentos para buscar diagnóstico e acompanhamento.
“Rio Branco ainda comete um atraso grave ao não assumir sua responsabilidade direta no enfrentamento à doença”, finalizou.
