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O início do verão de 2026, oficialmente iniciado em 21 de dezembro, acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. A estação que se estende até 20 de março deve ser marcada por um cenário climático incomum, sem a influência clara de El Niño ou La Niña — um período denominado de neutralidade do ENOS (El Niño Oscilação Sul) — com grandes variações regionais nas chuvas e temperaturas.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a ausência de um padrão climático dominante favorece sistemas regionais, o que dificulta previsões longas e aumenta a variabilidade meteorológica no país. Isso pode resultar em distribuição irregular das precipitações — beneficiando algumas áreas enquanto penaliza outras, especialmente o coração produtivo do Sudeste.
Especialistas em clima que acompanham os dados técnicos destacam que o período de janeiro a março de 2026 terá calor acima da média e chuvas irregulares em várias regiões agrícolas, com potencial impacto direto sobre culturas como milho safrinha e arroz irrigado. Alternâncias entre semanas de chuva intensa e períodos mais secos podem afetar o manejo das lavouras e a tomada de decisões no
Esse padrão climático menos previsível também tem implicações significativas para a gestão de recursos hídricos e geração de energia elétrica. A produção de energia no Brasil depende fortemente dos reservatórios hidrelétricos, que por sua vez são diretamente influenciados pelo volume de chuva nos meses de verão. A irregularidade nas precipitações pode pressionar a manutenção dos níveis de armazenamento de água, impactando tanto o setor elétrico quanto o abastecimento urbano.
No agronegócio, a combinação de temperatura elevada e distribuição irregular de chuvas implica maior atenção ao planejamento de irrigação, controle de pragas e doenças fúngicas e ajustes constantes nas janelas de plantio e manejo. A falta de um padrão climático dominante exige que os produtores monitorem de forma contínua as previsões meteorológicas e adaptem suas práticas às condições locais em tempo real.
Embora a neutralidade do ENOS não indique uma crise imediata, a incerteza e a variabilidade climática previstas para o verão de 2026 reforçam a necessidade de estratégias robustas de gestão de risco e de uso eficiente da água no campo e nas cidades, especialmente em regiões tradicionalmente mais vulneráveis às flutuações de chuva e temperatura.
