Rio Branco, Acre - terça-feira, 24 fevereiro, 2026

Uso de lenha para cozinhar cai no Brasil, mas 13,5% dos acreanos ainda dependem da biomassa

Foto: Internet 

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O uso de lenha e carvão na preparação de alimentos caiu de forma significativa no Brasil nas últimas décadas, mas a prática ainda persiste em diferentes regiões do país. Em 1990, quase metade da população brasileira (48%) utilizava esses combustíveis. Em 2025, a estimativa é de 14,5%, segundo levantamento com base em dados da PNAD/IBGE compilados pelo Brasil em Mapas.

A redução é atribuída principalmente à expansão do gás de cozinha, que se tornou predominante nos lares brasileiros. Apesar disso, cerca de 30,9 milhões de pessoas ainda utilizam lenha ou carvão, e aproximadamente 11 milhões de domicílios dependem exclusivamente da biomassa. Entre famílias de baixa renda, o percentual chega a 25%, evidenciando a relação direta entre vulnerabilidade social e acesso à energia limpa.

No Acre, a estimativa para 2025 aponta que 13,5% da população ainda cozinha com lenha ou carvão. O índice é próximo da média nacional e reflete a realidade de áreas onde o acesso ao gás encanado é limitado e o custo do botijão impacta o orçamento doméstico. Na Região Norte, a média é de 17%, e estados como o Pará registram percentuais mais elevados.

O recorte regional revela contrastes. O Sudeste apresenta média de 5,8%, com São Paulo registrando 2,6%. Já no Sul, o índice chega a 16%, com o Rio Grande do Sul alcançando 30,5%. A permanência do uso da lenha também está associada a hábitos culturais e à disponibilidade do recurso, sobretudo em áreas rurais.

A exposição à fumaça da lenha doméstica pode gerar níveis de poluição entre 20 e 40 vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, afetando principalmente mulheres e crianças. A transição energética nos lares brasileiros avança, mas os dados mostram que a universalização do acesso a fontes modernas ainda representa um desafio estrutural, inclusive na Amazônia.

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