O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião emergencial com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir a resposta do Brasil à medida anunciada pelos Estados Unidos: uma tarifa de 50% sobre o cobre brasileiro, articulada pelo ex-presidente e pré-candidato Donald Trump. A decisão foi recebida no Planalto como um ataque direto à indústria nacional.
Além do cobre, os EUA ameaçam sobretaxar também medicamentos e semicondutores, com risco de aumento de até 200% em fármacos, o que pode provocar efeitos em cadeia na economia brasileira — especialmente no setor de saúde e nas cadeias tecnológicas.
A nova rodada de tarifas integra uma estratégia eleitoral de Trump, que tem elevado o tom contra países que considera “desleais” com a economia norte-americana. Em uma carta enviada diretamente ao governo brasileiro, ele acusa Lula de “atacar a liberdade de expressão” e cita o julgamento de Jair Bolsonaro como parte de uma “caça às bruxas”, segundo ele, tolerada por Brasília.
Nos bastidores, o governo americano também abriu uma investigação com base na Seção 301 do Trade Act, o mesmo dispositivo que embasou a guerra comercial contra a China anos atrás.
Contagem regressiva até 1º de agosto
Os países atingidos — entre eles Brasil, União Europeia e Índia — têm até o dia 1º de agosto para tentar evitar que as tarifas entrem em vigor. Enquanto isso, setores estratégicos no Brasil já alertam para possíveis demissões, desinvestimentos e aumento de preços.
Na reunião convocada por Lula, os ministros Haddad e Alckmin avaliaram o cenário com preocupação, mas sem pânico. A orientação do presidente é defender o interesse nacional sem alimentar confrontos desnecessários.
Segundo Haddad, já estão em curso negociações técnicas com o governo americano para buscar um caminho diplomático. Paralelamente, o Itamaraty e o Ministério da Indústria e Comércio preparam um possível acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) e mapeiam produtos norte-americanos que podem ser alvo de retaliação, caso não haja acordo.
Durante a Cúpula do BRICS, Lula defendeu o comércio justo, criticou tarifas unilaterais e reforçou que o Brasil não aceitará intimidações. “Cada país é soberano. O Brasil está aberto ao diálogo, mas jamais aceitará imposições que prejudiquem seus trabalhadores.”
O que está em jogo?
O que está em jogo é muito mais do que uma disputa tarifária. Está em risco o futuro da indústria do cobre, um setor estratégico para a infraestrutura nacional e para a transição energética. Também entram na conta o fornecimento e o custo dos medicamentos e insumos farmacêuticos, com potencial impacto direto no SUS e no acesso da população à saúde pública.
Além disso, o Brasil pode sofrer um baque em sua inserção nas cadeias globais de tecnologia, especialmente na produção e comercialização de chips e semicondutores — setores fundamentais para o futuro da economia digital. Por fim, a crise também põe em xeque a imagem internacional do país e sua capacidade de articulação diplomática em um cenário geopolítico cada vez mais instável.
