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O maior risco para a produção de cacau e cupuaçu no Acre hoje não vem apenas de uma praga invisível no campo, mas de práticas comuns no dia a dia rural. O transporte irregular de frutos, mudas, sementes, ferramentas e até roupas contaminadas é apontado por técnicos como o principal vetor de disseminação da monilíase, doença que ameaça diretamente a base produtiva do Vale do Juruá.
A praga, causada por um fungo de alta capacidade de propagação, encontra na circulação humana um caminho mais rápido do que o próprio vento. A movimentação de materiais vegetais sem controle sanitário amplia o risco de contaminação entre propriedades e municípios, tornando a produção vulnerável mesmo em áreas onde não há registros da doença.
No Juruá, onde cacau e cupuaçu são cultivados majoritariamente por agricultores familiares, a disseminação da monilíase pode comprometer safras inteiras e gerar prejuízos prolongados. Diferente de pragas pontuais, a doença exige vigilância constante e mudança de comportamento, já que pequenos descuidos podem provocar efeitos em cadeia.
A atuação do poder público por meio de inspeções e ações preventivas ajuda a reduzir riscos, mas especialistas alertam que o controle da doença depende, sobretudo, da colaboração dos produtores e moradores da zona rural. O não cumprimento das regras sanitárias, como a proibição do transporte de frutos sem autorização, enfraquece qualquer estratégia de contenção.
Mais do que um desafio técnico, o combate à monilíase expõe um problema cultural e de conscientização. Enquanto práticas inadequadas persistirem, a produção de cacau e cupuaçu seguirá sob ameaça, colocando em risco a renda de famílias rurais e a estabilidade de uma cadeia produtiva estratégica para o interior do Acre.
