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A psicóloga Josiane Furtado, que atua há 35 anos no Pronto-Socorro de Rio Branco, fez um alerta contundente durante participação na Tribuna Popular da Câmara Municipal: o Acre enfrenta um aumento preocupante das tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes. Segundo ela, casos recentes revelam que menores de apenas doze anos têm dado entrada na unidade em estado crítico, exigindo atendimento emergencial.
O núcleo de saúde mental do Pronto-Socorro, responsável por acolher pacientes em crise depressiva ou suicida, tem registrado um fluxo crescente. “O atendimento deveria se iniciar a partir dos 14 anos, mas já estamos recebendo crianças abaixo dessa faixa etária. O que mais preocupa é: encaminhar para onde após a alta? A rede de atendimento infantil ainda não está estruturada para responder a essa demanda”, destacou Josiane.
A profissional explicou que o Núcleo de Prevenção do Suicídio, criado em 2014, foi fechado durante a pandemia e precisou ser reativado diante da alta procura. Além disso, novos espaços estão sendo mobilizados para suprir a necessidade, como a abertura do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) no Maria Barroso e serviços no Tucumã e no Barral y Barral. Mesmo assim, ela afirma que a rede ainda é insuficiente.
“Atender uma criança em tentativa de suicídio não é simples. Pode ser problema familiar, violência doméstica, violência sexual, inúmeros fatores. Precisamos do Conselho Tutelar, da rede de proteção e de encaminhamentos sólidos. Não basta estabilizar no pronto-socorro e soltar à deriva”, ressaltou.
Outro fenômeno que tem chamado atenção é o aumento das mutilações dentro das escolas. O núcleo vem trabalhando em parceria com a Secretaria de Educação para orientar professores sobre como identificar sinais de sofrimento psíquico entre alunos e fazer os devidos encaminhamentos.
Josiane reforçou que a saúde mental não pode ser tratada apenas no Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, mas deve ser pauta permanente nas políticas públicas. “A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo. Não importa idade, cor ou classe social. Por trás de cada caso, existe uma família, amigos e uma comunidade devastados pela perda”, afirmou.
Para ela, o pós-pandemia agravou ainda mais o quadro: aumento de crises de ansiedade, afastamentos do trabalho e depressão crônica. “A depressão já era considerada epidemia antes da pandemia. Hoje o cenário é ainda mais grave. Precisamos tratar saúde mental de janeiro a janeiro, com orçamento, acolhimento e políticas públicas de verdade”, concluiu.
