Foto: Messias Apollo | Seagri
A nova secretária de Estado de Agricultura, Temyllis Silva, assumiu o comando da pasta com um diagnóstico direto: o Acre já provou que tem potencial produtivo, mas ainda precisa transformar essa capacidade em renda concreta para quem vive no campo.
Em entrevista ao podcast Correio em Prosa, do Portal Correio OnLine, Temyllis defendeu uma mudança de mentalidade na política agrícola, com foco em tecnologia, assistência técnica e organização produtiva. “A gente precisa trabalhar uma cultura econômica na cabeça do produtor. Não basta produzir, é preciso saber planejar, investir e ter resultado”, afirmou.
Segundo a secretária, o maior desafio não está apenas em ampliar a produção, mas em garantir que ela seja sustentável financeiramente. Para isso, ela aponta três pilares: acesso à tecnologia, acompanhamento técnico e fortalecimento das cadeias produtivas. “Nós não vamos competir com outros estados em área. O nosso caminho é produzir melhor, com qualidade e com eficiência”, disse.
Temyllis também destacou que o papel do Estado não é determinar o que o produtor deve plantar, mas oferecer condições para que ele escolha o melhor caminho. “Não cabe ao Estado dizer o que ele tem que produzir. Nosso papel é fomentar, dar assistência, mecanização, insumo e garantir que essa produção gere renda”, explicou.
Durante a entrevista, a secretária citou exemplos práticos de mudança no comportamento do campo. Segundo ela, produtores têm migrado de culturas tradicionais para atividades mais rentáveis, como o café. “O produtor olha para o vizinho que investiu, que melhorou de vida, que colocou o filho na faculdade, e começa a entender que precisa mudar também”, relatou.
A estratégia da gestão também passa por aproximar o Estado do dia a dia do produtor. Para Temyllis, mais do que grandes programas, é necessário escuta ativa e presença. “Às vezes o produtor só quer ser ouvido. A vida no campo já é difícil, e ele precisa sentir que tem alguém ali para apoiar”, afirmou.
A secretária ainda reforçou que a política agrícola precisa caminhar junto com a realidade amazônica, onde limitações ambientais e territoriais exigem soluções mais inteligentes. “A gente fala muito de preservação, mas precisa garantir que quem está na terra consiga sobreviver dela. Senão, essa conta não fecha”, disse.
Com um discurso que mistura técnica e vivência, Temyllis aposta em uma gestão voltada para resultado prático. “Se a produção não gera renda, alguma coisa está errada. E é isso que a gente quer corrigir”, concluiu.
