Tema do Enem leva o etarismo ao centro do debate nacional

Foto: Agência Brasil

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O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” — movimentou professores e especialistas em todo o país neste domingo (9). Para educadores, a escolha foi acertada ao propor uma reflexão urgente sobre o envelhecimento populacional, o preconceito etário e as violações de direitos enfrentadas pelos idosos no Brasil.

A professora de redação Bárbara Soares, de Brasília, considera que o tema reflete um dos maiores desafios sociais contemporâneos. “O envelhecimento da população e o combate ao etarismo exigem um olhar mais sensível e políticas públicas consistentes. O Enem lança luz sobre um grupo vulnerável e sobre direitos constitucionais que precisam ser garantidos”, afirmou.

Ela lembra que discussões sobre o uso indevido de recursos previdenciários e a falta de políticas de proteção aos idosos poderiam ser exploradas nas redações. “Há uma preocupação em como proteger essas pessoas e assegurar dignidade nessa fase da vida”, disse.

Nos últimos anos, o Enem tem abordado temas de forte relevância social. Em 2022, por exemplo, a redação tratou da invisibilização do trabalho de cuidado das mulheres, o que, segundo Bárbara, mostra uma linha coerente de temas ligados à empatia e aos direitos humanos.

O professor Thiago Braga, do Rio de Janeiro, reforça a importância da discussão diante das mudanças demográficas. “Em 2070, cerca de 40% da população brasileira será formada por idosos. A transformação da pirâmide etária exige um novo olhar sobre envelhecer no país”, destacou.

Braga também lembrou o Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, como referência essencial para os candidatos. “Os textos motivadores devem ter ajudado os alunos a contextualizar o tema com base em direitos já conquistados e desafios ainda presentes.”

A professora Rayana Roale, também do Rio, avalia que o tema tem complexidade média e boa margem de repertórios socioculturais. “A questão da idade atravessa todas as camadas sociais. Há informações amplamente divulgadas, o que torna o tema acessível para os estudantes”, afirmou.

Já a docente Michele Marcelino, de São Paulo, considera que o Enem “acertou em cheio” ao colocar o etarismo no centro da redação. “O tema permite discutir os direitos das pessoas idosas, o preconceito e os desafios contemporâneos, como o abandono e a exclusão social”, disse. Para ela, a proposta dialoga com transformações culturais e econômicas do país.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, também elogiou a escolha. “O tema estimula um debate essencial sobre o acesso dos idosos ao trabalho digno, à previdência e à saúde pública de qualidade. São pautas que demandam políticas públicas urgentes”, afirmou.

Bianca ressaltou ainda a mudança de perfil entre os universitários. “Hoje temos pessoas com mais de 60, 70 e até 80 anos voltando a estudar, lado a lado com jovens. Isso representa uma revolução silenciosa no ensino e um passo contra o preconceito etário.”(Com informações Agência Brasil)

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