Foto: Intenrte
Com apoio internacional, extrativistas passam a mapear seus próprios territórios e identificar onde está o dinheiro da bioeconomia
A floresta que sempre sustentou famílias inteiras no Acre começa a ser redesenhada — agora pelas próprias mãos de quem vive nela. Um projeto conduzido pela Secretaria de Agricultura do Estado, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, aposta em tecnologia para transformar conhecimento tradicional em estratégia econômica concreta dentro das comunidades extrativistas.
A proposta vai além de um curso técnico. Ao capacitar 165 extrativistas no uso de GPS, drones e softwares de mapeamento, a iniciativa coloca nas mãos dessas populações a possibilidade de identificar, registrar e planejar o uso dos próprios recursos naturais. Na prática, isso significa saber exatamente onde estão os castanhais, quais áreas têm maior potencial produtivo e como organizar melhor a coleta para aumentar a renda sem derrubar a floresta.
Segundo a chefe da Divisão de Extrativismo e Sociobiodiversidade da SEAGRI, Eneide Taumaturgo, o mapeamento participativo muda a lógica de dependência técnica e fortalece a autonomia das comunidades. Ao dominar ferramentas de georreferenciamento, os próprios extrativistas passam a produzir dados sobre seus territórios, o que impacta diretamente o planejamento da produção e a geração de renda familiar.
O efeito vai além da produção atual. Jovens das comunidades passam a ter acesso a uma nova frente de trabalho, podendo replicar o conhecimento adquirido e atuar como prestadores de serviço dentro da própria realidade amazônica. A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser algo distante e passa a ser ferramenta de permanência no território.
A iniciativa também se insere em um movimento maior de valorização da bioeconomia no estado, ao transformar produtos tradicionais, como a castanha e outros itens da floresta, em ativos estratégicos. Ao conhecer melhor o próprio território, as comunidades passam a negociar melhor, planejar melhor e, principalmente, existir com mais força dentro das políticas públicas.
