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O governo do Ceará decretou situação de emergência econômica por conta dos efeitos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, assinada pelo governador Elmano de Freitas (PT) e publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (5), autoriza a adoção imediata de medidas de apoio a setores atingidos e a liberação de recursos da reserva de contingência do estado.
O decreto reconhece o “cenário adverso social e econômico” provocado pelo aumento das tarifas, que afeta diretamente as exportações cearenses. Em termos proporcionais, o Ceará é hoje o estado mais dependente do mercado norte-americano: no primeiro semestre de 2025, 52% das vendas externas tiveram os EUA como destino. O volume embarcado cresceu 184% em relação ao mesmo período de 2024, mas agora enfrenta forte instabilidade.
Entre as medidas anunciadas estão a concessão de subsídios, a compra de alimentos impactados pelo tarifaço, a utilização de créditos de ICMS acumulados e a liberação de incentivos do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará (FDI).
Segundo dados oficiais, o ferro fundido, ferro e aço lideram a pauta de exportações do estado, com US$ 426,2 milhões no primeiro semestre, alta de 317% em relação ao ano passado. Outros produtos relevantes são pescados, frutas, calçados, gorduras vegetais e máquinas elétricas.
O impacto das tarifas é ainda mais sensível porque os EUA sempre foram o principal parceiro do Ceará. Em 2000, o país já representava quase metade das exportações cearenses, tendência que se manteve ao longo da série histórica. Hoje, o estado ocupa a liderança entre os exportadores nordestinos para o mercado norte-americano, à frente de Bahia e Maranhão.
De janeiro a junho, o Ceará acumulou superávit comercial de US$ 342,7 milhões, mas analistas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) alertam que a elevada concentração em poucos setores e a dependência dos EUA exigem maior esforço de diversificação.
Com o decreto, o governo estadual busca dar fôlego imediato a produtores e empresas enquanto novas estratégias comerciais são discutidas.
