Durante entrevista ao podcast Correio em Prosa e pré-candidata a deputada estadual,, do portal Correio Online, conduzido pela jornalista Marcela Jansen, a ex-presidente do Deracre, Sula Ximenes, relembrou a trajetória construída dentro do órgão, os desafios enfrentados ao longo da carreira e o marco histórico de ter sido a primeira mulher a comandar a instituição.
Ela pontua que sua história no Deracre não começou no topo — foi construída ao longo de mais de uma década, passando por diferentes funções até chegar à presidência. Segundo ela, foram anos de dedicação e crescimento interno até alcançar o cargo mais alto da autarquia.“Não foi de um dia para o outro. Eu não estava aqui como secretária e, no dia seguinte, já era presidente. Foram anos construindo, degrau por degrau”, afirmou.
Sula iniciou no órgão em funções administrativas, passou pela gerência de ramais, diretoria e chefia de gabinete. Ao todo, foram cerca de 12 anos até assumir posições estratégicas e, posteriormente, a presidência.
A nomeação, no entanto, não veio sem críticas. Antes mesmo de assumir, ela afirma que enfrentou julgamentos públicos e questionamentos sobre sua capacidade. “As pessoas te dão um diagnóstico de incompetência sem saber nada da tua vida. Eu li comentários do tipo ‘de onde saiu essa?’. A internet é cruel”, relatou.
Apesar disso, a ex-gestora reforça que o conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos foi decisivo para sua escolha. “Quem me nomeou foi o governador, mas quem me colocou naquela posição foi o conhecimento que eu tinha do órgão”, destacou.
Sula contou que precisou se dedicar intensamente para dominar os aspectos técnicos da função. “O que eu não entendia, eu ia estudar. Eu lia, procurava saber. Eu não saía falando sem conhecimento”, disse. Para ela, uma frase passou a nortear sua atuação: “o compromisso substitui o talento”.
Primeira mulher a comandar o Deracre
Além da trajetória profissional, Sula entrou para a história como a primeira mulher a presidir o Deracre em mais de 60 anos de existência do órgão — um feito que, segundo ela, carrega forte simbolismo. “Quando eu vejo a galeria dos ex-presidentes, só está a minha foto lá como mulher. Em 60 anos, nenhuma outra. E não é por falta de competência, porque lá tem muitas mulheres competentes”, afirmou.
Mesmo em um ambiente predominantemente masculino — onde, segundo ela, cerca de 80% dos cargos técnicos são ocupados por homens —, Sula destaca que encontrou respeito dentro da instituição. “Eu enfrentei mais preconceito fora do que dentro do Deracre”, disse.
Ainda assim, reconhece que a cobrança foi maior por ser mulher. “Eu sabia que muitos esperavam que eu não desse conta. Então, eu tinha que trazer resultado. Essa responsabilidade era dobrada”, pontuou.

Gestão com presença e foco em resultados
Durante a entrevista ao Correio em Prosa, Sula também destacou o modelo de gestão adotado à frente do Deracre, marcado pela presença constante nas obras em todo o estado. “Uma coisa é acompanhar do gabinete, outra coisa é estar na obra, ver o que está travando e resolver. Se você não estiver dentro, não anda”, afirmou.
Segundo ela, o acompanhamento presencial foi essencial para destravar projetos e garantir a execução das obras. “O presidente tem o poder de resolver, mas só consegue fazer isso se souber exatamente o que está acontecendo”, completou.
A ex-presidente também ressaltou o papel da equipe na condução da gestão. “Ninguém faz nada sozinho. A equipe é tudo. E eu tive uma equipe que comprou a ideia de fazer o Deracre acontecer”, disse.

Legado e representatividade
Ao avaliar a própria trajetória, Sula destacou o impacto que sua história pode ter para outras mulheres que desejam ocupar espaços de liderança. “É gratificante saber que outras mulheres olham e dizem ‘eu posso’. Isso não tem preço”, afirmou.
Para ela, o legado vai além das obras entregues e está ligado também aos valores pessoais e familiares. “O mais importante é saber que, dentro da minha casa, meus filhos e meus pais olham pra mim e veem quem eu sou de verdade. Isso é o que importa”, concluiu.
