Rio Branco, Acre - sexta-feira, 24 abril, 2026

Silvia Waiãpi denuncia efeitos colaterais da agenda ambiental sobre a população mais vulnerável

Foto Internet

Fome, violência e abandono

A sessão da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural desta semana, na Câmara dos Deputados, foi marcada por um confronto contundente entre a deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede). Em um discurso inflamado, Silvia — que se autodeclara conservadora, cristã e indígena — acusou a ministra de liderar políticas ambientais que mantêm a população da Região Norte na miséria, limitam o desenvolvimento local e expõem mulheres e crianças a situações extremas de vulnerabilidade, como tráfico humano e abuso sexual.

Ao criticar o que chamou de “ambientalismo seletivo”, a deputada questionou a ausência de infraestrutura no Norte e a suposta incoerência do governo ao permitir desmatamento para acesso à COP30 — evento climático internacional que será realizado em Belém (PA) — enquanto mantém obstáculos à implementação de estradas fundamentais para a integração e sobrevivência da população amazônida.

“A senhora foi contra a BR-319, dizendo que não se faz estrada para passear. Mas permite estrada para a COP30, onde não haverá representatividade real do povo da Amazônia. Só líderes escolhidos a dedo, que não vivem a nossa dor”, disparou.

Silvia Waiãpi apontou ainda que cerca de 75% do território do Amapá está bloqueado por unidades de conservação e terras indígenas, o que, segundo ela, impede o desenvolvimento econômico do estado e acirra a desigualdade regional. “Enquanto o Sul e o Sudeste têm 20% de reserva legal, nós amargamos com 80%. O Norte está sendo asfixiado por uma política ambiental imposta de cima para baixo”, disse.

Em tom de denúncia, a parlamentar relatou que muitas comunidades não têm sequer estradas para escapar da violência doméstica ou buscar atendimento médico. “Nós não podemos nem fugir dos nossos abusadores. Crianças estão sendo prostituídas, mulheres violentadas, famílias entregues ao tráfico humano. E tudo isso em nome da árvore que a senhora defende, enquanto o povo morre sob a sua sombra”, afirmou.

Nas redes sociais, o embate rapidamente viralizou. Vídeos do discurso de Waiãpi foram amplamente compartilhados por diversos perfis. Apoiadores da ministra denunciaram o que consideram “teor ofensivo” das críticas recebidas por ela na comissão.

A hashtag #MarinaSilva esteve entre os assuntos mais comentados, reacendendo o debate sobre os desafios do ambientalismo no Brasil e as contradições entre proteção ambiental e desenvolvimento regional.

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