Os bastidores do vídeo de ‘Dai Dai’, música oficial da Copa, com o ‘Dance Maré’
A nova aposta de hit da FIFA para a Copa do Mundo de 2026, “Dai Dai”, chega oficialmente às plataformas nesta quinta-feira (14) unindo a estrela colombiana Shakira ao cantor nigeriano Burna Boy.
Com o Maracanã como cenário, o vídeo promocional da faixa foi gravado sob sigilo no fim de abril, estrelando o coletivo carioca Dance Maré — apenas dois dias antes de o grupo dividir o palco com a cantora no show histórico para 2 milhões de pessoas em Copacabana.
Ao g1, os integrantes do grupo liderado por Raphael Vicente detalharam os bastidores da produção internacional e a rotina de ensaios. Confira abaixo.
Convite, bastidores e mimos
Diferente do que se especulava, a produção no Maracanã não integra o videoclipe oficial da faixa, mas funciona como um material de divulgação estratégico para as redes sociais.
O convite surgiu de última hora, enquanto o grupo ensaiava para a apresentação de Copacabana.
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O grupo chegou ao estádio no início da tarde para aprender novas sequências com as coreógrafas Liz e Darina, sob supervisão remota da própria Shakira.
“A gente gravava e enviava para ela ver se aprovava a formação e a proposta”, explicou a dançarina Maria Eduarda Reis, de 24 anos.
A cantora colombiana chegou ao set apenas à noite para gravar suas cenas com o grupo. Para o vídeo, o Dance Maré contou com o reforço de outros dez dançarinos convidados, totalizando 20 pessoas.
Ao fim das gravações, o coletivo presenteou Shakira com uma cesta repleta de lembrancinhas brasileras, incluindo sandálias e doces tradicionais como brigadeiro e cajuzinho.
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Um cover que mudou tudo
A história do Dance Maré com Shakira começou de forma despretensiosa. Foi durante a Copa de 2022, quando o grupo decidiu gravar um “remake” do clipe de “Waka Waka”.
Sem a intenção de alcançar a artista, o vídeo viralizou e, em uma semana, foi compartilhado pela própria colombiana em todas as suas redes sociais.
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O gesto abriu portas para uma sucessão de colaborações:
o grupo gravou um vídeo oficial para o remix de “Estoy Aquí” (parceria da cantora com Papatinho);
dançou para ela no palco do “Domingão com Huck”;
foi convidado para a performance histórica na Praia de Copacabana.
Apresentação para 2 milhões de pessoas
Para o Dance Maré, a participação no show de Shakira na Praia de Copacabana superou qualquer experiência anterior em grandes eventos.
O coletivo subiu ao palco já na reta final da apresentação para dançar “Waka Waka”, o hit que estabeleceu a primeira ponte entre eles e a colombiana.
“Quando vimos aquela multidão e depois a Shakira vindo abraçar a gente, percebemos que tinha acontecido. Saímos do palco muito emocionados, com todo mundo chorando, porque foi, de fato, a maior experiência de nossas vidas”, disse o dançarino João Victor Silva, de 25 anos.
Coletivo ‘Dance Maré’ nos bastidores do show de Shakira na Praia de Copacabana.
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Começo de tudo
A trajetória do grupo começou em um ministério de dança de uma igreja local na Maré. Apesar disso, a inspiração inicial para formar o coletivo veio de um grupo de “global pop” chamado Now United.
“Fizemos um videocover de uma música deles, um clipe, e as pessoas da nossa bolha amaram. A partir dessa vontade de expor nossa arte para além da igreja, de forma externa, que nasce o Dance Maré”, conta Raphael Vicente.
Atualmente, os dez integrantes fixos — com idades entre 24 e 29 anos — conciliam o coletivo com profissões paralelas, atuando como instrutores de dança em academias, dançarinos profissionais, criadores de conteúdo e estudantes universitários.
Legado e o ‘Dance Maré Space’
A repercussão internacional conquistada ao lado de Shakira deve se transformar em impacto social permanente até o fim de 2026 com a inauguração do “Dance Maré Space”.
A sede própria, que já está em obras, funcionará como um centro de treinamento e escola de dança com preços sociais voltados exclusivamente para moradores da comunidade.
Para o fundador do coletivo, a passagem pelos maiores palcos do mundo serve como validação do propósito central do grupo:
“Fazer com que as pessoas continuem vendo palcos cheios de gente da favela sendo talentosa”, finaliza.
Ensaio do coletivo ‘Dance Maré’, formado por 10 dançarinos ‘crias’ do Complexo.
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