Moradores de diferentes regiões do Brasil voltaram a relatar tremores de terra nos últimos dias, reacendendo o debate sobre a atividade sísmica no país. Em menos de 24 horas, registros e relatos envolveram os estados do Acre, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais, embora nem todos tenham a mesma origem geológica.
No Acre, moradores de municípios do Vale do Juruá afirmaram ter sentido o chão tremer. O fenômeno ocorre em meio à sequência de fortes terremotos que atingiu a Venezuela nos últimos dias. Especialistas explicam que o estado acreano, localizado na porção oeste da Amazônia, frequentemente sente reflexos de grandes terremotos ocorridos na Cordilheira dos Andes, devido à propagação das ondas sísmicas pelo subsolo.
Já em Mato Grosso, a atividade sísmica foi registrada por equipamentos da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), assim como ocorrências recentes no Pará e em Minas Gerais. Nesses casos, os tremores são classificados como de baixa magnitude e fazem parte da atividade natural das falhas geológicas existentes no território brasileiro, sem relação direta com os terremotos registrados em países vizinhos.
Apesar de o Brasil estar localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das grandes zonas de encontro entre placas tectônicas, o país registra centenas de pequenos tremores todos os anos. A maior parte deles é imperceptível para a população e só é identificada pelos sismógrafos instalados em diversas regiões do território nacional.
O Acre, inclusive, é considerado uma das áreas brasileiras onde os tremores costumam ser mais sentidos. Isso acontece porque o estado está mais próximo da cadeia dos Andes, região onde ocorre o choque entre as placas de Nazca e Sul-Americana, responsável por alguns dos maiores terremotos do planeta. Quando esses eventos são profundos, suas ondas podem percorrer centenas de quilômetros e chegar ao território acreano.
Entre os estados que historicamente registram maior atividade sísmica também estão Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Em geral, os eventos apresentam baixa magnitude e raramente provocam danos estruturais.
Especialistas ressaltam que a sequência de registros não significa que o Brasil esteja diante de um aumento anormal da atividade sísmica. Os episódios possuem características distintas e, na maioria dos casos, são considerados fenômenos naturais monitorados permanentemente pelos centros de sismologia do país.
