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A segurança pública permanece como o setor mais negligenciado do país, apesar de concentrar o maior número de mortes violentas. O diagnóstico foi feito pelo deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil-AC) durante entrevista ao podcast Correio em Prosa, ao afirmar que “a segurança pública é a área mais desprezada do Brasil — e é onde mais se morre”. Para o parlamentar, décadas de descaso criaram um sistema incapaz de enfrentar a complexidade do crime organizado atual.
Segundo ele, as corporações estaduais convivem com efetivos reduzidos, equipamentos defasados e ausência de investimentos continuados, o que abre espaço para o avanço de organizações criminosas em regiões vulneráveis. “A precarização histórica contribuiu para que facções se fortalecessem e transformassem áreas inteiras da Amazônia Ocidental em corredores estratégicos do tráfico internacional”, afirmou. Ulysses disse ainda que o ritmo da violência é incompatível com a capacidade de resposta dos estados. “Existe uma contradição permanente: é o setor onde mais se morre e, ao mesmo tempo, o que menos recebe atenção do poder público.”
O Acre foi citado pelo deputado como símbolo dessa vulnerabilidade. Por fazer fronteira com Peru e Bolívia, o estado sofre diretamente os impactos do tráfico internacional. Segundo ele, sem reforço nacional consistente, as forças locais operam em desvantagem. “Sem presença federal de verdade, sem tecnologia e sem inteligência integrada, qualquer estratégia aqui apenas remedia, mas não resolve o avanço do crime organizado”, afirmou.
Ulysses defendeu o endurecimento das leis penais e criticou propostas que, na avaliação dele, reduzem o alcance operacional das polícias estaduais. Nesse ponto, mencionou a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2024), enviada pelo governo federal. “O que veio do governo podia ir para o lixo. Queriam jogar tudo nas costas da Polícia Federal, como se ela tivesse efetivo para combater facção no país inteiro. Isso é uma aberração”, disse.
O parlamentar afirmou que o Congresso tenta reconstruir o texto para evitar prejuízos a estados fronteiriços e garantir clareza operacional. “Quem combate facção é a polícia que está na rua. A PEC não entende essa realidade”, declarou. Para ele, o país precisa assumir a segurança pública como política nacional de Estado, com orçamento estável e continuidade administrativa. “Segurança não pode ser bandeira de governo. Se não houver investimento contínuo, treinamento e tecnologia, vamos continuar enxugando gelo”, afirmou.
O deputado reforçou que a falta de prioridade nacional recai sobre quem mais sofre com a violência cotidiana: jovens da periferia, trabalhadores que dependem do transporte público e famílias que vivem em áreas disputadas por facções. “Se a segurança não for prioridade nacional, o país não avança”, concluiu.
