Rio Branco, Acre - sábado, 02 maio, 2026

Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estão no epicentro da crise aviária

Foto ilustrativa

O Brasil confirmou na última quinta-feira, 15, o primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial, localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A notificação, feita pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), acendeu o sinal vermelho em um dos setores mais importantes do agronegócio brasileiro: a avicultura, responsável por mais de R$ 100 bilhões por ano na economia nacional.

O impacto foi imediato. Poucas horas após o anúncio, países como China, Japão e África do Sul suspenderam as importações de carne de frango brasileira oriunda da região afetada. A China, principal compradora, representa sozinha cerca de 14% do volume exportado pelo país. Com isso, estima-se que até 20% das exportações mensais possam ser prejudicadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Maior exportador mundial de carne de frango, o Brasil embarcou mais de 5 milhões de toneladas em 2024, movimentando cerca de US$ 10 bilhões. A confirmação de um foco da doença em granja comercial, mesmo que isolado, compromete a imagem sanitária do país no mercado global, considerado livre da enfermidade até então.

Para conter os danos, o Mapa destacou que o país segue reconhecido como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves comerciais, conforme regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e que os focos anteriores se restringiam a aves silvestres.

Efeitos no mercado interno

A suspensão temporária das exportações tende a provocar excesso de oferta no mercado interno, forçando queda no preço pago ao produtor e gerando instabilidade em toda a cadeia. Para o consumidor, a curto prazo, o frango pode ficar mais barato nos supermercados. Já para os criadores, o momento é de apreensão.

Há também o risco de demissões em frigoríficos e perdas de renda nos municípios produtores, especialmente no Sul do país, onde o setor avícola tem grande peso econômico.

Região Sul

Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a avicultura são responsáveis por mais de 65% das exportações nacionais de carne de frango. O foco em Montenegro atinge diretamente a base produtiva de um dos maiores polos do setor.

Frigoríficos instalados na região já operam com restrições, e há temor de que a suspensão temporária da produção se estenda, comprometendo o emprego e a arrecadação de tributos locais. A produção rural familiar e o sistema cooperado também devem sentir os reflexos econômicos com mais força.

O governo federal, por meio do Mapa e em parceria com a Defesa Civil estadual, anunciou um protocolo emergencial de contenção, que inclui: interdição da granja infectada; desinfecção e rastreio de áreas vizinhas; monitoramento de criações em um raio de 10 km; suspensão do trânsito de aves na região.

A estimativa inicial é que, se contido rapidamente, o caso não afete a certificação sanitária nacional. Ainda assim, a BRF e outras grandes empresas já negociam com parceiros internacionais para manter acordos de regionalização, isolando o episódio como incidente localizado.

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