Foto: Agência Brasil
A tradicional queima de fogos de artifício nas comemorações de fim de ano pode representar um fator de sofrimento para parte da população sensível a estímulos sonoros intensos. Entre os grupos mais afetados estão pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de idosos e crianças pequenas.
Especialistas explicam que indivíduos no espectro autista costumam apresentar maior sensibilidade auditiva, o que faz com que ruídos abruptos e prolongados sejam percebidos como ameaçadores. Nessas situações, o barulho pode desencadear crises sensoriais, caracterizadas por ansiedade intensa, agitação, tentativas de fuga e alterações comportamentais.
De acordo com profissionais da área de neurologia e neuropsicologia, o cérebro da pessoa com TEA nem sempre consegue interpretar o som dos fogos como parte de uma celebração. O estímulo é processado como algo negativo, gerando desconforto físico e emocional, que pode se estender além do momento da virada, afetando o sono e a rotina nos dias seguintes.
Além do impacto direto nas pessoas com autismo, o barulho excessivo também atinge familiares e cuidadores, que frequentemente precisam lidar com episódios de desregulação emocional e noites sem descanso. O sofrimento, segundo especialistas, não se restringe ao indivíduo, mas envolve todo o núcleo familiar.
Idosos, especialmente aqueles com quadros de demência, também estão entre os mais vulneráveis aos efeitos do ruído. O estímulo intenso pode provocar confusão mental, delírios, agitação e prejuízos temporários à memória e ao raciocínio. Bebês e crianças pequenas, por sua vez, sofrem com a interrupção do sono, essencial para o desenvolvimento nessa fase da vida.
Diante desse cenário, cresce o debate sobre alternativas à queima de fogos com estampido. Em diversas cidades brasileiras, legislações já restringem ou proíbem o uso de artefatos ruidosos, incentivando opções como fogos silenciosos, espetáculos de luzes e apresentações com drones, que preservam o caráter festivo sem causar sobrecarga sensorial.
Especialistas defendem que a adaptação das tradições é uma forma de ampliar a inclusão e garantir o direito de participação de todos nas celebrações coletivas. Para eles, a empatia é elemento central nesse processo, ao reconhecer que práticas culturais podem gerar sofrimento evitável a determinados grupos.
Estudos indicam que o autismo atinge cerca de 3% da população mundial. Embora nem todas as pessoas no espectro apresentem alterações sensoriais, o cuidado com o impacto dos fogos de artifício é visto como uma medida simples para reduzir danos e promover uma convivência mais respeitosa durante as festividades.
