Rio Branco, Acre - segunda-feira, 06 abril, 2026

Rota do Pacífico: uma mudança discreta que redesenha o lugar do Acre no comércio internacional

Foto: Secom

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O Acre começa a redesenhar sua lógica de escoamento e passa a mirar o Pacífico como eixo estratégico das exportações. Após nove anos, o município de Assis Brasil voltou a concentrar a maior parte das saídas internacionais, consolidando uma virada logística que reduz a dependência dos portos do Atlântico e aproxima o estado do mercado sul-americano.

Os dados mais recentes mostram que 65,1% das exportações acreanas já seguem por via rodoviária, superando o transporte marítimo pela primeira vez desde 2016. O principal destino é o Peru, responsável por 60,4% das compras, enquanto a Unidade da Receita Federal em Assis Brasil responde sozinha por 60,8% do escoamento estadual, com destaque para castanha e carne suína.

A mudança de rota vem acompanhada de uma alteração na própria base produtiva. A castanha assumiu a liderança das exportações, concentrando 42,2% das vendas, seguida pela carne bovina (21,3%) e pela carne suína (17,5%). No recorte municipal, Brasileia mantém protagonismo com US$ 5,19 milhões exportados, impulsionada pelo comércio de fronteira, além da participação de Senador Guiomard e Epitaciolândia como corredores complementares.

O avanço logístico, no entanto, ainda convive com entraves históricos. A dependência da BR-364, com trechos vulneráveis, eleva custos e compromete a regularidade do transporte, especialmente no Vale do Juruá. A lentidão nos processos alfandegários e a necessidade de obras estruturantes, como o Anel Viário de Brasileia, seguem como obstáculos para consolidar o corredor internacional.

Em meio a um cenário global marcado por tensões geopolíticas e aumento dos custos logísticos, o Acre registra superávit de US$ 8,27 milhões em fevereiro e acumula US$ 17,52 milhões em exportações nos dois primeiros meses do ano, crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período anterior. A nova rota encurta distâncias e amplia mercados, mas o desafio permanece: transformar a aposta no Pacífico em uma estratégia sustentável, capaz de resistir às limitações internas e às instabilidades externas.

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