Foto: Carla Carvalho
O nível do Rio Juruá segue em elevação no município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, após ultrapassar novamente a cota de transbordo no último domingo (26). Esta é a quinta vez, em um intervalo de quatro meses, que o manancial sai do leito normal, reacendendo o alerta para possíveis impactos mais severos na região.
De acordo com a Defesa Civil, a cheia já afeta cerca de 3.720 pessoas no município. Apesar do avanço das águas, até o momento não há registro de famílias desabrigadas ou desalojadas, embora o número de atingidos continue crescendo.
Na medição realizada na manhã desta segunda-feira (27), o rio atingiu 13,46 metros, apresentando elevação de 36 centímetros em 24 horas. O nível permanece acima da cota de alerta, fixada em 13 metros. Ao todo, aproximadamente 930 famílias são impactadas direta ou indiretamente pela cheia, que alcança onze bairros da área urbana, além de comunidades rurais e uma vila.
Entre os bairros atingidos estão Remanso, Várzea, Olivença, Miritizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro e a região central da cidade. Já na zona rural, áreas como Tapiri, Laguinho, Florianópolis, Humaitá do Moa, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso e Simpatia registram impactos. A vila de Santa Rosa também está entre os pontos afetados.
Segundo a Defesa Civil, outros rios da região, como Moa, Juruá Mirim, Valparaíso e Liberdade, também apresentam elevação no nível das águas, o que amplia o monitoramento por parte das autoridades.
Apesar do cenário de atenção, o município ainda não iniciou a retirada de famílias. De acordo com o coordenador da Defesa Civil local, a experiência dos últimos anos indica que as remoções costumam ocorrer quando o rio atinge níveis entre 13,50 e 13,60 metros. Até lá, o trabalho segue concentrado no acompanhamento contínuo da situação.
Em municípios vizinhos, os reflexos da cheia também são sentidos. Em Marechal Thaumaturgo, o Rio Juruá chegou a 12,78 metros na manhã desta segunda-feira, embora já apresente sinais de recuo. Mesmo assim, 25 famílias precisaram deixar suas casas e estão abrigadas em uma escola da rede pública.
Na região, outros rios como Amônia, Tejo e Bajé também transbordaram, agravando o cenário. A prefeitura local informou que equipes seguem mobilizadas para prestar assistência às famílias atingidas.
O novo transbordo ocorre menos de um mês após a última cheia significativa. No início de abril, o Rio Juruá atingiu 14,10 metros, afetando mais de 28 mil pessoas e provocando a retirada de dezenas de famílias de áreas de risco. Na ocasião, houve registros de alagamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica e comprometimento do abastecimento de água.
Com o histórico recente e a elevação contínua do nível do rio, a expectativa das autoridades é de que os próximos dias sejam decisivos para definir a evolução da cheia e a necessidade de novas medidas emergenciais.
