Rio Branco, Acre - quinta-feira, 14 maio, 2026

Rio Juruá ultrapassa 13,9 metros, mantém tendência de subida e amplia impacto de cheia em Cruzeiro do Sul

Foto: Reprodução 

O nível do Rio Juruá voltou a subir em Cruzeiro do Sul e atingiu 13,97 metros na medição desta quarta-feira (29), mantendo uma sequência de elevação registrada nos últimos quatro dias. O manancial já havia transbordado no domingo (26), marcando a quinta ocorrência de cheia em um intervalo de apenas quatro meses.

De acordo com a Defesa Civil municipal, o avanço das águas já provocou impactos significativos na cidade e em áreas rurais. Ao todo, mais de 23 mil pessoas foram afetadas, distribuídas em 5.936 famílias. A cheia atinge diretamente 11 bairros urbanos, além de 15 comunidades rurais e quatro vilas.

Com o agravamento da situação, famílias começaram a ser retiradas das áreas de risco. Até o momento, 16 famílias foram encaminhadas para abrigos montados em escolas públicas, enquanto outras seis buscaram abrigo na casa de parentes. Os deslocamentos tiveram início na terça-feira (28), conforme o nível do rio avançava.

Entre os pontos de acolhimento organizados pelo município, a Escola Padre Arnold abriga cinco famílias, totalizando 15 pessoas, enquanto a Escola Corazita Negreiros recebe uma família com seis integrantes. Já a Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker concentra o maior número de desabrigados, com 10 famílias e 69 pessoas. Outras unidades permanecem de prontidão para eventual ampliação da demanda.

A elevação do rio também afetou serviços essenciais. Por medida de segurança, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido para pelo menos 323 famílias que vivem em áreas alagadas, como forma de evitar acidentes.

Além do Juruá, outros rios da região apresentam níveis elevados, como o Juruá Mirim, Valparaíso, Liberdade e Campinas, o que amplia o estado de atenção das autoridades locais.

No bairro Miritizal, equipes acompanham de perto a situação de famílias indígenas. A Defesa Civil estima que mais de 100 pessoas, distribuídas em 13 famílias, poderão ser encaminhadas para abrigos caso o nível das águas continue subindo.

O Corpo de Bombeiros reforça os alertas à população sobre riscos comuns neste período, como a presença de animais peçonhentos em residências invadidas pela água e o aumento da possibilidade de acidentes, especialmente envolvendo crianças.

Historicamente, o período de maior incidência de cheias em Cruzeiro do Sul ocorre entre o fim de fevereiro e o início de março. No entanto, registros recentes indicam que o fenômeno tem se estendido ao longo do mês de abril, exigindo monitoramento constante das autoridades.

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