“Rio Branco já paga metade da passagem”, diz Fábio Araújo ao defender debate sobre tarifa zero

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A situação do transporte público de Rio Branco continua entre os principais desafios da gestão municipal. Mesmo após mais de R$ 100 milhões repassados em subsídios, o sistema ainda enfrenta falhas operacionais, redução da frota e reclamações de usuários. O tema foi abordado pelo vereador Fábio Araújo (MDB) durante participação no podcast do Correio em Prosa, em que ele defendeu mais transparência na aplicação dos recursos e cobrou celeridade na licitação prevista pela Prefeitura.

Segundo ele, o subsídio milionário não tem se revertido em melhorias concretas. “A empresa já recebeu mais de cem milhões de reais e ainda vemos ônibus pegando fogo, veículos parados e passageiros esperando por horas. Isso não é prestação de serviço, é descaso com o dinheiro público”, afirmou. O parlamentar também ironizou o novo marco regulatório do transporte, classificando-o como “copia e cola” da lei federal e sem impacto real na qualidade do sistema.

O contrato emergencial continua vigente e a promessa de licitação até 31 de dezembro é recebida com ceticismo. “Eu duvido que publiquem a licitação dentro do prazo. Falta planejamento, e a cidade paga a conta dessa desorganização”, disse. Para ele, o transporte público de Rio Branco vive uma combinação perigosa de ineficiência e gasto excessivo, com impacto direto na vida dos trabalhadores que dependem diariamente dos coletivos.

A tarifa técnica, fixada em R$ 7,65, é outro ponto de controvérsia. Embora o passageiro pague apenas R$ 3,50, o restante é coberto pela Prefeitura. “O poder público já paga metade da passagem, então por que não discutir um modelo de passagem zero, como outras capitais estão testando?”, questiona Fábio. A proposta do parlamentar é abrir o debate sobre novas fontes de custeio e políticas integradas de mobilidade, priorizando o transporte coletivo como serviço essencial.

O vereador também fez críticas à forma como as prioridades orçamentárias são definidas. Ele lembra que, enquanto o transporte público se arrasta há anos, a Prefeitura decidiu investir R$ 30 milhões em um viaduto. “A população quer ônibus funcionando, não obra de vitrine. O viaduto não resolve o problema de quem espera uma hora no ponto”, afirmou.

Para o parlamentar, a reestruturação do transporte deveria incluir revisão de contratos, fiscalização de repasses e metas de desempenho para as empresas. “Não é possível continuar jogando dinheiro em um sistema que não entrega o básico”, disse. Fábio defende que a Prefeitura apresente um plano de mobilidade integrado, com metas claras e cronograma público, em vez de soluções fragmentadas e paliativas.

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