Foto: Luciano Mende
O retrato traçado pelo Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2025) acende um alerta em Rio Branco. A capital acreana aparece entre as cinco piores capitais brasileiras em qualidade de vida, segundo o levantamento que avaliou os 5.570 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais. O estudo é considerado um dos mais completos do Brasil por ir além da renda e medir, na prática, como as pessoas vivem nas cidades .
No ranking das capitais, Rio Branco alcançou 62,29 pontos e ficou na 23ª posição entre as 27 avaliadas, desempenho abaixo da média nacional. O índice mede três grandes dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. É justamente nos dois últimos eixos que a capital do Acre apresenta os maiores gargalos, refletindo problemas históricos ligados à inclusão social, acesso a direitos e perspectivas para a população .
Os dados revelam que, embora haja avanços em áreas como moradia e acesso a serviços essenciais, Rio Branco ainda enfrenta dificuldades significativas em segurança, educação de qualidade, oportunidades econômicas e inclusão social. O cenário acompanha uma tendência observada em boa parte da Amazônia Legal, região que concentra os piores resultados do IPS Brasil 2025 e evidencia desigualdades profundas em relação ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país .
No recorte regional, Rio Branco aparece ao lado de outras capitais do Norte que também registram desempenho abaixo da média nacional no IPS Brasil 2025, como Porto Velho, Macapá e Belém. O levantamento mostra que, apesar de realidades distintas, essas cidades compartilham desafios estruturais semelhantes, especialmente nos indicadores de oportunidades, inclusão social e acesso a direitos. Dentro da própria região, capitais como Palmas e Boa Vista apresentam desempenho relativamente melhor, evidenciando desigualdades internas no Norte do país
No comparativo nacional, capitais como Curitiba, Campo Grande e Brasília lideram o ranking, impulsionadas por melhores indicadores de bem-estar, segurança e acesso a oportunidades. A distância entre esses centros urbanos e cidades amazônicas como Rio Branco escancara um desafio estrutural que vai além da gestão municipal e envolve políticas públicas integradas, investimentos contínuos e enfrentamento das desigualdades regionais .
