Enquanto Curitiba avança e se torna a capital com melhor qualidade de vida do país, Rio Branco amarga a 23ª colocação no IPS 2025. Com pontuação em queda, o Acre revela um país onde a desigualdade segue como projeto de governo.
No mapa colorido que desenha o Índice de Progresso Social (IPS) 2025, o Brasil aparece fragmentado. De um lado, Curitiba, Florianópolis e São Paulo lideram com índices que beiram os 70 pontos. Do outro, Porto Velho, Macapá e Rio Branco seguem abaixo dos 63, empilhando dados que mostram que viver no Norte do Brasil é resistir à negligência institucionalizada.
A capital acreana registrou 62,29 pontos em 2025, uma leve queda em relação aos 62,68 do ano anterior, mantendo-se na 23ª colocação, ficando à frente apenas de Belém, Salvador, Maceió, Macapá e Porto Velho, que formam o grupo das piores capitais.
Mas o que parece uma estabilidade é, na prática, um espelho da estagnação social. O IPS aponta que Rio Branco tem um dos piores índices de segurança pessoal do país: 42,04. Também falha na inclusão social, com nota 44,44 — reflexo de uma cidade onde mulheres, negros, indígenas e a população LGBTQIA+ seguem sem acesso pleno à cidadania.
Em termos estaduais, o Acre ocupa a 25ª posição entre 27 unidades federativas, com pontuação de 56,29, acima apenas de Maranhão e Pará.
Radiografia de Rio Branco
Em termos de nutrição e cuidados médicos básicos, o levantamento do IPS aponta que a capital acreana obteve um desempenho relativamente positivo, alcançando 72,75 pontos, o que reflete certo grau de estabilidade no acesso a alimentação mínima e atendimentos médicos emergenciais. O indicador de moradia também se destacou, com 74,41 pontos, evidenciando que uma parte significativa da população conta com estruturas habitacionais minimamente adequadas.
No entanto, o cenário começa a se degradar à medida que os indicadores se aproximam de dimensões mais estruturantes. O acesso ao conhecimento básico, por exemplo, ficou em 64,84, revelando gargalos persistentes na educação fundamental. Pior ainda é a situação do acesso à informação, com apenas 45,29 pontos, mostrando que uma parcela expressiva da população ainda enfrenta obstáculos para ter conexão com o mundo digital, leitura crítica de conteúdos ou acesso a meios de comunicação confiáveis — um fator decisivo para a cidadania e participação social.
Na dimensão saúde e bem-estar, o índice de 60,39 pontos indica um sistema que, embora não completamente colapsado, está longe de atender com eficácia as necessidades da população, sobretudo nas áreas periféricas e rurais. Por fim, o meio ambiente aparece como uma das poucas áreas com pontuação sólida, chegando a 70,07, sinal de que a cidade ainda mantém certo equilíbrio ecológico em seus arredores — embora isso não se traduza, necessariamente, em políticas ambientais efetivas.
Esses dados, em conjunto, reforçam a leitura de que Rio Branco vive uma realidade marcada por avanços pontuais em áreas de base, mas enfrenta barreiras estruturais nas dimensões que garantem autonomia, acesso à informação e bem-estar ampliado. O progresso é desigual, e a cidade caminha com um pé na urbanidade e outro na exclusão.
Brasil em regressão silenciosa
O Índice de Progresso Social (IPS) 2025 revelou um leve recuo geral entre as capitais brasileiras que figuravam entre as mais bem colocadas no ranking anterior. Cidades como Brasília, Goiânia, Belo Horizonte e Florianópolis apresentaram quedas que variam entre 1,4 e 2,3 pontos em relação ao ano de 2024.
Em contrapartida, Curitiba registrou um avanço e assumiu a liderança como a capital com melhor qualidade de vida no país, subindo de 69,36 pontos em 2024 para 69,89 em 2025, um crescimento de 0,53 ponto. São Paulo também teve desempenho positivo, passando de 68,70 para 68,88, o que a posicionou em quarto lugar no novo ranking.
O levantamento manteve a constatação de disparidade regional. Capitais das regiões Norte e Nordeste, como Macapá, Porto Velho e Maceió, permanecem entre as últimas posições, com índices inferiores a 63 pontos. Essas cidades continuam figurando no grupo de menor pontuação geral no país, segundo os critérios de avaliação do IPS.
Brasil obteve pontuação geral no Índice Global de Progresso Social de 72,35, figurando em 55º entre 170 países. Na América do Sul, Chile (79,49), Uruguai (79,26) e Argentina (76,85) tiveram índices superiores.
Do que se trata o IPS 2025
O “IPS 2025” refere-se ao Índice de Progresso Social (IPS) Brasil, lançado em 2025 pelo Imazon e Social Progress Imperative. É uma medida multidimensional que avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros — indo muito além do PIB — analisando resultados reais em aspectos sociais e ambientais
O levantamento baseia-se em 57 indicadores sociais e ambientais, exclusivamente focados em resultados — não em investimentos, estando estruturado em três dimensões: necessidades Humanas Básicas (nutrição, água, moradia, segurança); fundamentos do Bem‑estar (educação, saúde, ambiente, acesso à informação); e oportunidades (direitos, inclusão, liberdades, ensino superior).
A pontuação varia de 0 a 100, com média nacional e rankings por município, estado e região.
