Representante do CREA denuncia abandono da acessibilidade em Rio Branco: “Andar na cidade é um malabarismo”

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução 

A revisão do Plano Diretor de Rio Branco ganhou um dos discursos mais diretos e contundentes da audiência pública realizada na Câmara Municipal: o do professor Antônio Furtado, representante do CREA-AC. Ele expôs falhas estruturais na mobilidade urbana da capital e afirmou que a cidade não garante o direito básico de circulação para pedestres, idosos e pessoas com deficiência.

Furtado disse que a acessibilidade em Rio Branco simplesmente não existe na prática. “Andar na cidade de Rio Branco é um verdadeiro malabarismo”, declarou, citando desníveis, degraus, calçadas interrompidas e falta de padronização como obstáculos diários para qualquer cidadão.

Segundo ele, as calçadas da capital são tão precárias que chegam a colocar a vida das pessoas em risco. “Saindo daqui até o estacionamento, eu subi e desci quatro calçadas. Imagine isso para um cadeirante, um idoso, uma mãe com carrinho de bebê”, criticou.

O professor contou que, em sala de aula, chegou a realizar um experimento com alunos utilizando cadeira de rodas, muletas e vendas nos olhos para simular diferentes limitações. O resultado, diz ele, foi chocante: “Eles não conseguiram percorrer 100 metros sem correr perigo”.

Para o CREA-AC, esse é um dos sinais mais evidentes de que o Plano Diretor precisa abandonar a visão exclusivamente técnica no papel e assumir responsabilidades práticas sobre a cidade real. Furtado afirmou que não se trata apenas de legislar sobre construções e ocupações, mas de garantir condições mínimas de mobilidade urbana em todos os bairros.

O representante também questionou decisões urbanísticas antigas e recentes, como a manutenção de trechos de áreas não edificáveis sem explicação técnica convincente. Ele defendeu que, em vez de engessar a cidade com normas desconectadas da realidade, o Legislativo precisa exigir clareza, fundamentação e coerência na aplicação das regras urbanas. “A engenharia é objetiva. A lei tem que ser clara, aplicável e servir ao interesse público”, reforçou.

Ao citar exemplos de outras cidades brasileiras, como Vila Velha (ES), onde calçadas possuem continuidade e acessos nivelados, Furtado afirmou que Rio Branco está décadas atrasada na garantia de direitos urbanos básicos. Para ele, a atual versão do Plano Diretor precisa incluir metas reais de acessibilidade, fiscalização efetiva e políticas públicas permanentes.

Compartilhar