O secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths, deve acumular nos próximos dias o comando interino da Secretaria Especial Municipal de Articulação Institucional. A definição ocorre após o recuo do adjunto do Governo do Estado, Márcio Pereira, que havia sido anunciado para o cargo, mas decidiu declinar do convite feito pelo prefeito Tião Bocalom.
A nomeação de Biths, que será formalizada no Diário Oficial do Estado DE quinta-feira, 3, foi construída após uma reavaliação interna no Palácio Rio Branco, diante da mudança repentina de posicionamento por parte de Pereira. Segundo o próprio secretário de Saúde, a decisão partiu de um entendimento coletivo, motivado pela ausência de um nome de consenso imediato para a vaga.
“A gente se reuniu na prefeitura para avaliar essa mudança de posição do Márcio. Estava tudo resolvido, mas ontem houve um distanciamento e hoje fomos surpreendidos com essa posição dele. Uma possibilidade é eu assumir interinamente”, declarou Biths.
Pessoas próximas ao núcleo político da gestão avaliam que Rennan já vinha desempenhando funções de articulação institucional de maneira informal. Ele é apontado como responsável por acertos estratégicos entre o Executivo e o Legislativo, tendo destacado o ex-vereador Juracy Nogueira para intermediar diálogos com a Câmara Municipal. A atuação discreta teria, inclusive, rendido mais resultados do que a gestão anterior da pasta, que estava sob comando de Jonathan Santiago, exonerado na última segunda-feira, 30.
Além da experiência na articulação, Rennan coordenou a pré-campanha à reeleição de Bocalom, sendo um dos nomes de confiança do prefeito. Ele está à frente da Secretaria de Saúde por indicação do União Brasil, partido que compôs a aliança política nas eleições de 2024. A possível acumulação de cargos é tratada como uma solução provisória, enquanto o grupo de aliados tenta encontrar um nome que concilie os interesses entre União Brasil e Progressistas, que compõem a base do atual governo municipal.
O impasse sobre a nomeação ganhou contornos políticos após o prefeito aguardar, sem sucesso, uma sinalização do governador Gladson Cameli sobre a indicação de Márcio Pereira, que é primeiro secretário do Progressistas e tem ligação direta com o grupo do vice-prefeito Alysson Bestene.
A indefinição revelou mais do que uma questão administrativa. Mostrou também os desafios de costurar acordos entre partidos aliados em meio ao ano eleitoral.
