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A Receita Federal e o Incra anunciaram a criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), chamado de “CPF da terra”, que promete transformar a cobrança e a fiscalização do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). A medida é apresentada como histórica: pela primeira vez, será possível cruzar automaticamente informações de diferentes sistemas, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR), o Sigef e o Cnir, num banco único de dados sobre imóveis no país.
A proposta é ambiciosa. Até 2026, 65% das propriedades rurais já devem estar vinculadas ao CIB, e a meta do governo é alcançar 80% até 2027. Em novembro de 2025, durante a COP30 em Belém, será lançada a primeira versão do canal digital voltado a proprietários rurais, com a promessa de dar mais transparência e simplificar processos como a declaração do ITR, que passará a ser pré-preenchida a partir de informações oficiais.
A chamada “malha fina da terra” nasce com o objetivo de combater fraudes e inconsistências nas declarações, automatizar o reconhecimento de áreas de preservação ambiental e de reserva legal e, ao mesmo tempo, oferecer menos burocracia e mais segurança jurídica para os produtores. A integração, segundo o governo, também vai impactar diretamente na arrecadação e em políticas públicas ligadas à reforma agrária, à agricultura familiar e à sustentabilidade.
Outro ponto em debate é o impacto econômico. A Receita Federal afirma que o CIB não cria novos tributos nem aumenta alíquotas, mas a integração deve elevar a arrecadação ao corrigir declarações subdimensionadas ou omissões frequentes. Isso pode gerar uma pressão indireta sobre proprietários, sobretudo em áreas onde o valor de terra nua ou a extensão de reserva legal não coincidirem com o que vinha sendo informado.
