Agosto e setembro concentram historicamente o período mais crítico para incêndios no estado; apesar dos registros recentes, acumulado de 2026 permanece abaixo do ano passado
O Acre registrou 39 focos de incêndio em apenas 48 horas, entre os dias 22 e 23 de agosto, acendendo um alerta justamente no início do período historicamente mais crítico para as queimadas no estado.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) colocaram o Acre na 11ª posição entre as unidades da federação com maior número de focos no período.
Apesar do avanço registrado nos últimos dias, o cenário acumulado de 2026 ainda é significativamente melhor que o observado no ano passado.
Entre 1º de janeiro e 23 de agosto, o Acre contabilizou 234 focos de incêndio. No mesmo intervalo de 2025, foram 414. A diferença representa uma redução de aproximadamente 43%.
O número deste ano também chama atenção quando comparado aos registros recentes. Até 23 de agosto de 2024, por exemplo, haviam sido contabilizados 1.891 focos. Em 2023 eram 939; em 2022, 1.463; em 2021, 2.750; e em 2020, 2.120.
A preocupação agora está no calendário.
Historicamente, agosto e setembro estão entre os meses de maior ocorrência de queimadas no Acre. A média histórica de agosto chega a 1.761 focos, enquanto setembro apresenta média ainda maior, de 3.280 registros.
Os extremos da série ajudam a dimensionar o risco. Em agosto de 2005, o Acre chegou a contabilizar 7.669 focos. Já setembro de 2022 registrou 6.693.
Na série histórica iniciada em 1998, o pior ano foi 2005, quando o estado contabilizou 15.993 focos de incêndio. O menor total anual ocorreu em 1999, com 347.
Com a estiagem avançando e a redução das chuvas, as próximas semanas passam a exigir maior atenção. Os 39 focos registrados em apenas dois dias ainda não anulam a forte redução observada ao longo de 2026, mas surgem justamente quando o Acre entra nos meses em que, historicamente, o fogo mais avança.
