Missão técnica em São Paulo busca referências para ampliar regularização, agregar valor à produção local e fortalecer o Selo D’Colônia
Queijos, linguiças, carnes e outros produtos artesanais feitos no Acre podem ganhar mais espaço no mercado a partir do fortalecimento das pequenas agroindústrias e da ampliação da regularização sanitária. O movimento passa pelo Selo D’Colônia, criado para atender produtores de pequena escala e permitir que alimentos de origem animal sejam comercializados dentro das normas sanitárias.
Na última semana, médicos veterinários do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) percorreram municípios do interior de São Paulo para conhecer modelos que já funcionam na produção artesanal. A missão passou por Amparo, Serra Negra, Joanópolis e Bragança Paulista, regiões onde pequenos empreendimentos conseguiram aliar produção artesanal, controle sanitário e acesso ao mercado.
A equipe acreana visitou três queijarias e três unidades de beneficiamento de carnes e derivados. Na prática, os técnicos acompanharam desde a estrutura utilizada pelos produtores até a fabricação de queijos, linguiças e produtos de charcutaria.
Mais do que observar técnicas de produção, a missão buscou entender como esses pequenos negócios conseguem atender às exigências sanitárias sem perder a característica artesanal — um dos principais desafios para quem produz em pequena escala.
Regularização pode significar mercado
No Acre, esse caminho passa pelo Selo D’Colônia. A proposta é permitir que pequenos produtores e agroindústrias familiares tenham condições de regularizar alimentos de origem animal, agregando valor ao que é produzido dentro das propriedades.
A regularização é considerada estratégica porque a falta de inspeção sanitária pode limitar a comercialização de produtos artesanais, mesmo quando existe demanda do consumidor.
É justamente nesse ponto que a experiência paulista chamou a atenção dos técnicos acreanos. Nos empreendimentos visitados, a inspeção não funciona apenas como mecanismo de fiscalização, mas também como parte do processo de formalização e desenvolvimento dos pequenos negócios.
Foram analisados controles sanitários, documentação, instalações, processos produtivos e as soluções encontradas para adequar estruturas menores às regras de segurança dos alimentos.
Próximo passo será trazer experiências para o Acre
Com o retorno da missão, o Idaf deverá elaborar um relatório técnico apontando quais práticas encontradas em São Paulo podem ser aplicadas no estado.
A expectativa é que as experiências contribuam para aperfeiçoar a inspeção sanitária e, principalmente, criar condições para que mais produtores consigam sair da informalidade e transformar produtos que muitas vezes circulam apenas em pequenas comunidades, feiras ou mercados locais em fonte de renda e oportunidade de negócio.
O desafio agora será fazer com que as experiências vistas fora do estado cheguem efetivamente às propriedades acreanas. O avanço do Selo D’Colônia pode representar não apenas maior segurança para o consumidor, mas também uma possibilidade de ampliar o mercado para queijos, carnes, embutidos e outros produtos artesanais produzidos no Acre.

