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Enquanto o levantamento mais recente da APAS/FIPE aponta redução nos preços de cortes nobres como alcatra, contrafilé, filé-mignon e picanha em supermercados do Sudeste, o Acre segue outro caminho. No estado, o comportamento do mercado tem oscilado entre leves recuos e novas altas, e, na prática, o consumidor ainda não sente alívio no bolso.
Em Rio Branco, pesquisas realizadas ao longo de 2025 mostram uma realidade bem distinta da tendência nacional: a carne bovina segue mais cara que a média registrada em outras regiões do país. Em muitos casos, a diferença entre supermercados e açougues chega a 32%, e em alguns meses já passou dos 50%, segundo levantamentos locais. O resultado é que famílias de baixa e média renda continuam adaptando o cardápio e substituindo cortes tradicionais por alternativas mais baratas.
“Quando a gente vê a notícia de que a carne caiu no Brasil, parece que estão falando de outro país. Aqui, a gente ainda pesquisa muito para não pagar caro demais”, comenta a dona de casa Elza Camargo, moradora do Calafate. Ela relata que o açougue do bairro tem sido a opção mais acessível. “No supermercado, o mesmo corte dá quase o dobro. Não tem como.”
O movimento nacional, divulgado esta semana, aponta recuos de até 2,63% no contrafilé e 1,79% no filé-mignon no mês de outubro, de acordo com o Índice de Preços dos Supermercados. No Acre, porém, a trajetória tem sido irregular. Em junho, houve uma pequena queda média de –0,71%. Já em novembro, os preços voltaram a subir, com aumentos que chegaram a 5,3% em alguns cortes. Especialistas locais apontam que a oscilação está ligada a fatores próprios da cadeia produtiva no estado.
Entre os motivos para essa disparidade estão a logística mais cara, o custo do transporte, a menor oferta de animais para abate e a dependência do fluxo interestadual. A situação se agravou após relatos de escassez de gado disponível no mercado acreano, o que pressiona os valores no varejo. “O preço da carne é muito sensível ao ciclo pecuário. Quando a oferta diminui, o aumento chega rápido para o consumidor”, explica um economista ouvido pela reportagem.
Outro dado importante é o comportamento dos supermercados, que mantêm margem mais elevada em relação aos açougues. Para muitos consumidores, essa diferença tem pesado mais que qualquer variação nacional. “A gente vê notícia de que a carne tá caindo, mas basta ir no mercado daqui pra entender que a nossa realidade é outra”, afirma Tiago Nascimento, autônomo do bairro Tancredo Neves.
Apesar da tendência nacional indicar deflação do setor para 2025, o Acre ainda enfrenta desafios próprios que afetam o preço final. Enquanto isso, a população segue fazendo contas, pesquisando e, muitas vezes, mudando hábitos alimentares para driblar os valores que resistem em cair.
