Rio Branco, Acre - quarta-feira, 08 abril, 2026

Programa da ABDI eleva renda de cafeicultores em 80% e impulsiona inclusão social no Vale do Juruá

Foto: Assessoria

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O programa já alcança mais de 4 mil pessoas de forma direta e indireta na região.

O projeto Café Amazônia Sustentável, uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no âmbito do Programa Coopera+, está redesenhando o cenário socioeconômico do Vale do Juruá. Dados atualizados da Avaliação de Impacto, realizada pelo Observatório da Indústria do Ceará, revelam que a iniciativa multiplicou a produtividade local e gerou independência financeira e inclusão social para centenas de famílias.

O destaque da evolução dos indicadores entre 2023 e 2025 é o salto na qualidade de vida dos produtores. A renda mediana dos cooperados subiu de R$ 2.534,30 para R$ 4.554,00 no período, um crescimento de aproximadamente 80%. Esse avanço financeiro reflete-se diretamente na redução da vulnerabilidade social: o percentual de famílias cooperadas que dependem do programa Bolsa Família caiu de 38,7% para 33,6%.

No total, o impacto do programa já alcança 4.061 pessoas de forma direta e indireta na região, número quase quatro vezes superior ao registrado no início do acompanhamento, em 2023.

“O Café Amazônia Sustentável é a prova de que a neoindustrialização pode e deve ser inclusiva. Ao levarmos tecnologia e inteligência produtiva para a ponta, para o produtor familiar, fomentamos um setor econômico e garantimos que o desenvolvimento chegue de forma ética e sustentável às regiões mais distantes do país”, disse a diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização, Neide Freitas.

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Produção recorde

O aumento da renda é sustentado por números operacionais robustos. A produção de café saltou de 3,2 mil sacas em 2023 para expressivas 24,9 mil sacas em 2025. Essa alta é fruto da expansão da área plantada, que atingiu 804 hectares, e do plantio de 2 milhões de pés de café. Para 2026, a expectativa é ainda mais otimista, com a previsão de colheita de 30,4 mil sacas.

Segundo o líder do projeto na Agência, Eduardo Tosta, a cada R$ 1 investido pela ABDI no projeto, houve um retorno de R$ 2,5 para a sociedade, totalizando mais de R$ 36 milhões em benefícios para a região do Juruá.

“Este é um projeto inédito nos 21 anos da ABDI pela sua magnitude, complexidade e, principalmente, pelo impacto social alcançado em menos de três anos. Em Mâncio Lima, provamos que o investimento em quem quer produzir gera um ciclo de prosperidade. Não levamos apenas equipamentos e infraestrutura; levamos dignidade, capacitação e um futuro próspero que se reflete no aumento da renda mediana e na melhoria de todos os indicadores sociais, da saúde à educação”, afirmou Tosta.

Educação e Saúde

O impacto do fortalecimento econômico transborda para os indicadores sociais do município. Em Mâncio Lima, um dos focos do projeto, os índices de educação são surpreendentes: a taxa de aprovação escolar atingiu 98,6%, enquanto a evasão escolar caiu para o nível residual de 0,2% em 2024. O município também apresenta uma infraestrutura de saúde mais acessível que a média regional, com um estabelecimento de saúde para cada 682,6 habitantes em 2025.

Enquanto a região do Vale do Juruá, como um todo, registrou a formalização de 14.715 empregos em 2025, Mâncio Lima destacou-se com a abertura de 112 novas empresas no último ano e a manutenção de postos de trabalho formais no setor agropecuário.

O sucesso do modelo implementado pela ABDI no Acre reforça como a integração entre tecnologia, assistência técnica e visão de mercado pode transformar biomas preservados em polos de desenvolvimento econômico ético e inclusivo.

Do Juruá para o Baixo Acre

A ABDI já trabalha para replicar no Baixo Acre o modelo de sucesso consolidado no Vale do Juruá. Além da ampliação do Complexo Industrial de café em Mâncio Lima, com uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, a Agência — em parceria com a Cooperacre — iniciou as obras da unidade de Capixaba, no Baixo Acre. Este convênio também prevê a implantação de um complexo industrial em Acrelândia. Os dois novos polos devem beneficiar diretamente cerca de 400 famílias produtoras.

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