Os trabalhadores da Educação do Acre realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira (17), em frente à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e ao Palácio Rio Branco, em Rio Branco, para cobrar a devolução dos 10% retirados da tabela do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da categoria em abril de 2022. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), que defende a recomposição da tabela salarial e afirma que a medida provocou perdas significativas na remuneração dos servidores ao longo dos últimos quatro anos.
Segundo a presidente do Sinteac, Rosana Nascimento, os prejuízos variam conforme a carreira de cada profissional, com perdas mensais que vão de R$ 500 a R$ 2.500. De acordo com ela, há servidores que deixaram de receber mais de R$ 100 mil desde a retirada do percentual.
“Os 10% representam uma perda de R$ 500 a R$ 2.500 por mês na folha de pagamento e na renda familiar desses trabalhadores. Já vai fazer quatro anos que retiraram esse percentual. Quando você multiplica esse valor por ano e pelos quatro anos, há servidores que já deixaram de receber mais de R$ 100 mil. É um dinheiro que está fazendo falta para suas famílias”, afirmou.
Embora a adesão ao ato tenha sido menor do que a esperada, Rosana atribuiu a baixa participação ao período de recesso escolar. Segundo ela, muitos profissionais aproveitaram o período para descansar ou viajar, mas ressaltou que o movimento seguirá mobilizado em defesa da recomposição salarial.
Durante o protesto, a presidente do sindicato também criticou a demora do governo estadual em atender às reivindicações da categoria e cobrou a atuação dos órgãos de fiscalização. Ela afirmou que os trabalhadores não aceitam mais a justificativa de que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a devolução da diferença salarial.
“Não vamos aceitar que continuem nos negando um direito que é nosso. Para retirar o dinheiro da Educação foi muito fácil, mas para devolver o que pertence aos trabalhadores há toda essa dificuldade. Queremos que os órgãos fiscalizadores e a Justiça cobrem a devolução desses recursos. É dinheiro da educação, é dinheiro do povo do Acre e faz falta para a qualidade do ensino, para as condições de trabalho, para a saúde e para a valorização dos profissionais”, declarou.
Rosana informou ainda que a próxima etapa da mobilização será buscar uma reunião com a governadora Mailza Assis, por meio da Casa Civil. Segundo ela, a categoria quer um posicionamento definitivo sobre a recomposição da tabela do PCCR.
“Vamos à Casa Civil cobrar uma reunião com a governadora. Queremos que ela diga claramente se vai ou não devolver a nossa tabela. Não aceitamos mais a justificativa da Lei de Responsabilidade Fiscal. Parece que ela só existe para a Educação. Para outros setores, os problemas são resolvidos; para nós, sempre fica a promessa de que vão devolver e nunca devolvem”, concluiu.
