Produzir pouco para valer mais: por que o mel do Acre não disputa volume, disputa mercado

Foto: Internet 

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Enquanto grandes polos apícolas do país concentram esforços em escala e volume, a produção de mel no Acre segue um caminho diferente — e estratégico. O estado avança apostando em um modelo que prioriza origem, floresta preservada e características únicas do produto, colocando o mel acreano em um nicho onde o valor está menos na quantidade e mais na identidade.

A apicultura e a meliponicultura desenvolvidas no Acre se diferenciam por ocorrerem em áreas de floresta, com baixa interferência química e forte relação com a biodiversidade amazônica. Esse contexto confere ao mel características sensoriais e ambientais que o distanciam da produção industrializada e o aproximam de mercados que valorizam procedência, sustentabilidade e rastreabilidade.

Em vez de competir com grandes estados produtores, o Acre constrói um posicionamento alinhado à bioeconomia, onde o mel deixa de ser apenas um alimento e passa a representar um produto florestal não madeireiro, associado à conservação ambiental e à geração de renda de baixo impacto. Trata-se de uma lógica que dialoga com tendências nacionais e internacionais de consumo consciente.

Esse modelo também reforça o papel do estado como fornecedor de produtos diferenciados, capazes de acessar feiras especializadas, concursos técnicos e mercados que pagam mais por qualidade do que por volume. O mel acreano, nesse contexto, não disputa prateleiras comuns, mas espaços onde origem e história importam.

Ao optar por esse caminho, o Acre sinaliza que seu futuro produtivo não está na reprodução de modelos massivos, mas na valorização do que é singular. No caso do mel, produzir menos pode significar, na prática, valer mais.

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