Foto: Correio online
O alerta veio de quem vive a realidade do campo todos os dias. Durante debate na Assembleia Legislativa do Estado do Acre, o produtor rural Alex Silveira expôs, de forma direta, os impactos que a instabilidade no sistema de rastreabilidade bovina já começa a provocar na rotina de quem depende da venda de animais para sobreviver.
“Agora mesmo a gente vai fazer uma GTA e já está demorando 24 horas para atualizar”, relatou. Segundo ele, o problema não é isolado. “Os meninos estavam reclamando que, para sair, não estava funcionando. Isso trava tudo”, disse.
A preocupação aumenta porque o momento é decisivo para os pecuaristas. “Esse período da venda do bezerro é a nossa colheita”, afirmou. “É quando a gente precisa vender bem para manter a qualidade da produção no estado.”
Para quem vive distante dos centros urbanos, o impacto é ainda mais duro. “Nós que estamos a 30, 45 quilômetros de ramal precisamos que isso funcione”, destacou. A logística já é difícil, e qualquer falha no sistema amplia o prejuízo.
Segundo Alex, o reflexo é imediato no mercado. “Se frear a venda e esfriar o mercado, nós vamos ter que vender mais barato”, alertou. Ele lembra que, mesmo com a valorização do gado no Brasil, muitos produtores ainda não conseguem acompanhar os melhores preços. “A gente já vende abaixo do valor que deveria.”
Durante o encontro, solicitado pelo deputado Tanízio Sá, o produtor fez um apelo direto por ação política. “Se eu puder pedir ao senhor, vá à bancada e faça o possível e o impossível para resolver isso”, disse.
Nos bastidores do mercado, segundo ele, o sinal já preocupa. “Já tem comprador falando que vai esfriar por causa disso. Se isso acontecer, para nós que estamos na ponta, é ruim demais.”
Por fim, Alex resumiu o sentimento do campo com uma comparação simples e forte: “É a mesma coisa que chover na hora da colheita. Molhou, já era.”
