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A safra de castanha-do-Brasil começou a movimentar comunidades extrativistas em várias regiões do Acre, mas os valores pagos ao produtor neste início de temporada têm chamado a atenção. Informações divulgadas por produtores e compradores no interior do estado indicam que a lata da castanha com casca está sendo comercializada por cerca de R$ 70, com o quilo variando entre R$ 6 e R$ 7 em algumas localidades.
Apesar de parecer um valor razoável à primeira vista, muitos extrativistas explicam que o preço acaba sendo pressionado pela própria dinâmica da safra. Neste ano, a produção tem sido considerada boa em várias áreas da floresta, o que aumenta a oferta do produto e tende a puxar o valor para baixo nas negociações iniciais.
A coleta da castanha continua sendo uma das atividades mais tradicionais da economia da floresta no Acre. Famílias inteiras passam semanas dentro da mata recolhendo os ouriços que caem das árvores, abrindo caminho entre trilhas, carregando sacas pesadas e enfrentando longas distâncias até os pontos de venda. O trabalho exige força, paciência e conhecimento da floresta, passado de geração em geração.
Outro fator que pesa na renda de quem vive do extrativismo é a distância até os centros de comercialização. Em muitas comunidades, o transporte depende de rios, estradas de terra ou caminhões que passam apenas em determinados períodos. Esse percurso encarece o processo e reduz o valor que de fato fica nas mãos do coletor.
Mesmo com as dificuldades, a castanha continua sendo um dos produtos mais importantes da sociobiodiversidade amazônica. Além do consumo in natura, o fruto também é usado na produção de óleo, farinha e outros derivados que ganham espaço em mercados nacionais e internacionais.
No Brasil existe ainda um preço mínimo oficial para a castanha-do-Brasil, atualmente fixado em R$ 3,67 por quilo, como forma de garantir alguma proteção aos extrativistas em períodos de forte queda nas cotações. Ainda assim, lideranças do setor defendem que políticas de valorização do produto e mais organização das cadeias de comercialização são fundamentais para garantir renda digna às famílias que vivem da floresta.
Enquanto a safra avança nas matas acreanas, produtores seguem atentos ao comportamento do mercado. A expectativa de muitos deles é que, com o andamento da colheita e a movimentação das cooperativas, os preços possam se estabilizar e garantir melhor retorno a quem passa dias inteiros dentro da floresta recolhendo um dos frutos mais emblemáticos da Amazônia.
