Foto: Correio online
A Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) realizou, no último sábado (21), a oficina de instalação do primeiro viveiro de produção de mudas voltado ao pasto apícola e à meliponicultura no Acre, dentro do projeto Enxame. O evento reuniu produtores e técnicos em um dia de atividades práticas e teóricas, com foco na implantação de viveiros de mudas e na captura de abelhas sem ferrão, passo essencial para fortalecer a produção de mel no estado.
“As abelhas sem ferrão são muito difíceis de encontrar na natureza. Quando fazemos a captura utilizando iscas artificiais, aproveitamos o momento em que os enxames se multiplicam, ou seja, quando a rainha inicia a divisão da colônia. Isso acontece geralmente durante a florada abundante, quando a produção de crias aumenta rapidamente. É nesse momento que precisamos ter as iscas prontas, oferecendo um ambiente próximo ao natural para que os enxames se estabeleçam”, detalha o zootecnista Nélio Figueiredo, responsável pela oficina.
Ele explica que o atrativo usado nas iscas, embora algumas pessoas chamem de feromônio, é na verdade uma mistura de água com o chamado “batom” produzido pelas próprias abelhas dentro do ninho. Esse cheiro natural atrai os enxames no momento da divisão, permitindo que formem novos colmeias de forma voluntária e segura, sem prejudicar a natureza. “O ideal é criar um espaço com isolamento parcial — não 100% fechado —, permitindo a ventilação e o controle da umidade, além de oferecer um local confortável e próximo ao habitat natural das abelhas”, complementa Nélio.
A engenheira florestal Zandra Vela reforça que essa técnica é acessível a todos que desejam iniciar na atividade ou expandir sua produção. “Ao utilizar caixas preparadas com própolis e cera como atrativo natural, conseguimos que os enxames ocupem o local por vontade própria, diminuindo impactos ambientais e promovendo o equilíbrio necessário para o desenvolvimento dos meliponários”, explica.
Além da captura de abelhas, a estrutura dos viveiros aumenta a capacidade produtiva das propriedades. Segundo o engenheiro florestal Vicente Simões, responsável pela implantação, “cada viveiro deve conduzir cerca de 3.500 mudas de espécies estratégicas para o pasto apícola, que serão distribuídas aos produtores. Isso fortalece áreas já produtivas e cria a base para expansão da atividade em novas regiões”.


