Rio Branco, Acre - quinta-feira, 16 abril, 2026

Produção de mandioca cai no Acre e governo tenta retomar cultura com mecanização gratuita

Foto Messias Apollo | Seagri

Foto: Messias Apollo | Seagri

Base da alimentação acreana e símbolo cultural do estado, a mandioca tem perdido espaço no campo — e o próprio governo reconhece isso. Em entrevista ao podcast Correio em Prosa, a secretária de Agricultura, Temyllis Silva, admitiu a queda na produção e detalhou as primeiras ações para tentar reverter o cenário.

“Diminuiu. Isso é fato”, afirmou a secretária, ao comentar os dados recentes sobre a mandiocultura no Acre. Ela destaca que a retração da produção está diretamente ligada à mudança de comportamento dos produtores, que têm migrado para culturas mais rentáveis, como o café. O movimento, segundo Temyllis, é natural diante da busca por melhores condições de vida. “O produtor olha para quem está ganhando mais, vê o resultado, e muda. Isso acontece”, explicou.

Mesmo assim, o governo estadual iniciou uma estratégia para recuperar a cultura, principalmente por sua importância econômica e alimentar. A principal aposta tem sido a mecanização gratuita de áreas destinadas ao plantio.

“Nós começamos a mecanizar áreas específicas para a mandiocultura. Estamos fazendo até duas hectares por produtor, com 100% do serviço custeado pelo Estado”, destacou.

As ações já estão em andamento em municípios como Xapuri, Plácido de Castro e regiões do Juruá, com interrupções apenas durante o período de chuvas. A retomada, segundo a secretária, já está em curso.

Além da mecanização, o objetivo é garantir condições para que o produtor volte a enxergar a mandioca como atividade viável economicamente. “A gente precisa fomentar essa cultura de novo. Ela caiu, e a gente sabe disso. Mas ela continua sendo essencial para o Acre”, afirmou.

A farinha, produto final da mandioca, é considerada uma das principais identidades do estado, com reconhecimento inclusive fora da região Norte — ainda que, segundo Temyllis, muitas vezes sem origem genuína acreana.

“A nossa farinha é referência, mas hoje já tem outros lugares usando esse nome. E isso mostra o quanto a gente precisa fortalecer a nossa produção de novo”, disse.

A estratégia do governo, no entanto, não passa por impor o retorno da cultura, mas por criar condições para que ela volte a ser atrativa. “A gente não pode obrigar ninguém a plantar. Mas pode ajudar a tornar viável”, resumiu.

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