Rio Branco, Acre - quinta-feira, 18 junho, 2026

Presente em até 90% das propriedades familiares, mandioca ganha reforço para aumentar renda no Acre

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Capacitação em Brasileia e Epitaciolândia orienta produtores sobre boas práticas, agregação de valor e novas técnicas de produção.

A cultura que sustenta milhares de famílias acreanas está no centro de uma iniciativa voltada ao aumento da produtividade e da renda no campo. Presente em até 90% das propriedades da agricultura familiar do Acre, a mandioca foi tema de uma capacitação promovida pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) nos municípios de Epitaciolândia e Brasileia.

A ação reuniu cerca de 25 produtores rurais e abordou desde técnicas de cultivo até estratégias para agregar valor à produção, transformando a matéria-prima em produtos com maior potencial de comercialização.

Segundo a engenheira agrônoma e chefe da Divisão de Extrativismo e Sociobiodiversidade da Seagri, Eneide Taumaturgo, a mandioca continua sendo uma das atividades mais importantes para a economia rural acreana.

“Ela está presente em praticamente todas as comunidades rurais. A mandioca garante alimento para as famílias e também gera renda por meio da comercialização da farinha, da goma, da massa para bolos e do fornecimento para programas governamentais e alimentação escolar”, explica.

Durante a capacitação, os participantes receberam orientações sobre boas práticas de fabricação, segurança alimentar, manejo agronômico e beneficiamento. O treinamento incluiu demonstrações práticas de lavagem, trituração, prensagem e produção de derivados como farinha, tapioca, goma, beiju e puba.

Além da qualidade do produto, um dos focos do curso foi mostrar aos agricultores como o beneficiamento pode aumentar significativamente a rentabilidade da atividade.

De acordo com Eneide, muitos produtores ainda comercializam a mandioca in natura sem perceber o potencial de ganho existente na industrialização artesanal da produção. “A farinha pode valer mais que o dobro do produto vendido in natura. Em alguns casos, a goma agrega até três vezes mais valor. Por isso também trabalhamos a viabilidade econômica da atividade, ajudando o produtor a entender custos, mão de obra, produtividade e lucro”, afirma.

Outro tema abordado foi a adoção de cultivares mais produtivas e o uso de técnicas capazes de ampliar a produção por hectare, permitindo que as famílias obtenham melhores resultados sem necessidade de expandir as áreas de cultivo.

A capacitação também discutiu a importância da organização coletiva por meio de associações e cooperativas, além de orientações sobre embalagem, comercialização e acesso a mercados.

Para a produtora rural Francilene Pereira da Silva, a iniciativa representa uma oportunidade de melhorar a qualidade dos produtos e ampliar as vendas. “Estamos aprendendo formas de melhorar a produção da farinha e dos derivados. Isso pode ajudar a aumentar nossa renda, porque a mandioca é a principal fonte de sustento da nossa família”, relata.

A expectativa é que o conhecimento compartilhado durante o curso contribua para fortalecer uma das cadeias produtivas mais tradicionais do Acre, agregando valor à produção e ampliando as oportunidades econômicas para os agricultores familiares da região.

 

      

   

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