Um exemplar do livro “C’était ça ou mourir”, um romance do autor Thelyson Orélien
REUTERS/Sarah Meyssonnier
A Academia Goncourt, que concede o prêmio literário mais renomado da França, anunciou nesta sexta-feira (25) a retirada do romance do autor canadense Thélyson Orélien da lista de candidatos devido a acusações de plágio e uso de inteligência artificial.
Essa decisão “é ditada pelo desejo de preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da Academia, cuja função central é promover e celebrar a literatura escrita por mulheres e homens”, declararam os organizadores em um comunicado à AFP.
Orélien, que também possui nacionalidade haitiana, está no centro da controvérsia desde o início da semana, quando uma conta anônima no X o acusou de ter escrito seu livro “C’était ça ou mourir” (“Era isso ou morrer”, em tradução livre), um fenômeno literário na França, “quase inteiramente” usando inteligência artificial.
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Para justificar sua decisão, a Academia Goncourt afirmou que se baseou nos “resultados convergentes de diversas análises realizadas por pesquisadores e jornalistas confiáveis, que demonstram que ‘C’était ça ou mourir’ é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial”.
Dois dias depois, acusações de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá se seguiram às acusações de uso de IA.
No Canadá, onde Orélien chegou em 2010, a editora Boréal anunciou a suspensão de suas “atividades promocionais”.
O autor, de 38 anos, está atualmente na França, onde tinha agendado a promoção de seu livro, um verdadeiro fenômeno literário e um dos favoritos na temporada de premiações.
O escritor declarou à AFP que está “pronto para se pronunciar quando as coisas se acalmarem”. “Porque agora, de qualquer forma, existe esse desejo não só de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz […], de me silenciar.”
Por trás da conta anônima que lançou as acusações no início desta semana está o ensaísta francês Samuel Fitoussi, como ele mesmo admitiu nesta sexta-feira no X, especificando que se tratava de um “projeto coletivo”.
“Temo que, após vários milênios de uma civilização baseada na escrita, a IA cause o desaparecimento da leitura e da escrita”, disse esse colaborador do jornal conservador Figaro, justificando sua iniciativa.
Essa controvérsia abalou o mundo literário francês e levanta questões em todo o mundo sobre como essa nova tecnologia afetará a indústria editorial.
