Foto: Jardy Lopes
Rodrigo Damasceno aposta em vocações produtivas, fortalecimento do empreendedorismo e cooperação com a bancada federal para transformar a realidade local
Tarauacá, município localizado na região do Tarauacá-Envira, vive uma realidade desafiadora quando comparada ao restante do Acre. Essa constatação, feita com propriedade pelo prefeito Rodrigo Damasceno, deu o tom da sua participação no Encontro de Prefeitos, realizado nesta semana pelo Sebrae. Em entrevista exclusiva ao Correio, o gestor afirmou que a solução para transformar a vida da população tarauacaense passa por parcerias sólidas e eficazes.
“Nós temos que juntar forças. O Sebrae é um grande parceiro, os bancos que vieram aqui se apresentar, o Governo do Estado… para que juntos possamos transformar a realidade dos nossos municípios”, defende o prefeito.
Segundo Damasceno, a disparidade no desenvolvimento econômico do estado é gritante. Enquanto o Alto e o Baixo Acre concentram 86% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, a região do Tarauacá-Envira, onde está o município, divide os 14% restantes com Cruzeiro do Sul.
“Nosso desafio é muito grande para que a prosperidade chegue à nossa população. Precisamos transformar a vida das pessoas por meio de oportunidades reais de trabalho e renda. O índice nacional de desemprego está em 6,6%, e em Tarauacá esse número é 6,8%. Isso é muito grave”, ressaltou Damasceno.
E acrescentou: “muitas famílias dependem exclusivamente do Bolsa Família e de repasses federais. Batem à porta da Prefeitura atrás de oportunidade, mas a gente sabe que emprego público não é a única saída. Precisamos fomentar o empreendedorismo.”
Polo do Sebrae e foco na vocação local
Uma das medidas estratégicas anunciadas por Rodrigo Damasceno é a instalação de um polo oficial do Sebrae em Tarauacá, iniciativa que vai ampliar o suporte técnico aos empreendedores locais. O município já conta com um agente de desenvolvimento, mas o novo polo promete fortalecer ainda mais a atuação no território.
“Temos que apostar nas nossas potencialidades. Não adianta inventar a roda. Lá o relevo é acidentado, não dá pra plantar soja, nem milho. Mas temos grande potencial com o café, a banana e produtos que não dependem tanto de mecanização. Além disso, as manufaturas têm grande espaço em nosso município”, explica.
Primeiros 100 dias e os efeitos das alagações
Rodrigo Damasceno, que já foi prefeito entre 2013 e 2016, retornou ao comando do município enfrentando alagações severas logo nos 100 primeiros dias de mandato. Apesar das dificuldades, ele afirma que a prioridade agora é reorganizar a administração municipal para garantir eficiência e entrega à população.
“Tivemos duas alagações nos primeiros três meses de gestão. Precisamos nos readaptar à nova realidade administrativa, colocar as licitações em dia, organizar o quadro de funcionários. É um trabalho interno que vai permitir que a Prefeitura possa chegar com mais força e estrutura na ponta, onde o povo precisa”, afirmou. “Estivemos lado a lado da população durante a alagação, mas ainda é pouco perto do que podemos fazer por Tarauacá”, completou.
A força da bancada federal
Outro ponto central defendido pelo prefeito é o papel dos parlamentares federais no desenvolvimento do município. Com o aumento do valor das emendas parlamentares individuais – que passaram de R$ 16 milhões para R$ 70 milhões –, Damasceno acredita que o apoio da bancada federal é essencial para realizar obras estruturantes e fomentar políticas públicas eficientes.
“Um parlamentar federal tem praticamente um orçamento inteiro de Tarauacá à disposição para investir. E não é só para pagar folha ou fazer tapa-buraco, é para fazer os grandes investimentos que o nosso município precisa. Já estamos contando com esse carinho da bancada e espero contar ainda mais”, finalizou o prefeito.
Perspectiva de futuro
Com uma gestão que prioriza o planejamento e a articulação institucional, Rodrigo Damasceno quer deixar um novo legado em Tarauacá. O foco está em gerar empregos, fortalecer as cadeias produtivas locais e garantir que a cidade avance no mapa do desenvolvimento acreano.
“Vamos sair dessa situação difícil. Mas para isso, precisamos caminhar juntos, com união, estratégia e coragem”, conclui.





