Preços internacionais do leite iniciam 2026 em alta após mudança no mercado global

Foto: Agro2

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O mercado internacional de lácteos começou 2026 com sinais claros de recuperação nos preços, após um período de estabilidade no fim do ano passado. A mudança de direção ficou evidente no primeiro leilão do ano da Global Dairy Trade (GDT), realizado na terça-feira (6), plataforma administrada pela cooperativa neozelandesa Fonterra, maior exportadora de laticínios do mundo.

No evento, o preço médio dos produtos negociados alcançou US$ 3.533 por tonelada, o que representa uma valorização de 6,3% em relação ao último leilão de 2025, ocorrido em 16 de dezembro. O resultado interrompeu a tendência anterior e reacendeu expectativas de um novo ciclo de alta no mercado global.

A principal explicação para o avanço das cotações foi a retração da oferta. Em apenas duas semanas, o volume total disponibilizado no leilão caiu 13,8%, somando 29,3 mil toneladas, movimento considerado típico para o período, mas mais intenso nesta abertura de ano.

Todos os derivados negociados apresentaram valorização. O leite em pó integral, principal produto comercializado na GDT, foi vendido a US$ 3.407 por tonelada, com alta de 7,2% frente ao pregão anterior. Já o leite em pó desnatado registrou aumento de 5,4%, alcançando US$ 2.564 por tonelada.

Além do desempenho no mercado físico, os contratos futuros de leite em pó também apresentaram elevação significativa, indicando expectativa de menor produção e demanda mais firme nos próximos meses. Esse comportamento reforça a percepção de um cenário mais apertado entre oferta e consumo no mercado internacional.

Analistas do MilkPoint avaliam que a valorização externa tende a repercutir no mercado sul-americano. Historicamente, aumentos de preços no comércio global impactam com relativa rapidez países como Argentina e Uruguai, principais fornecedores de lácteos ao Brasil.

Caso esse movimento se confirme, o encarecimento dos produtos importados pode reduzir a competitividade do leite estrangeiro no mercado brasileiro, diminuindo o volume de importações e contribuindo para um maior equilíbrio entre oferta e demanda no setor lácteo nacional ao longo de 2026.

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