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A precariedade do transporte coletivo dominou os debates na Câmara Municipal de Rio Branco na terça-feira, 3, durante a reabertura dos trabalhos legislativos de 2026. Vereadores relataram cobranças constantes da população, falhas recorrentes na frota e alertaram para a falta de respostas concretas do Executivo, especialmente diante do fim do contrato emergencial previsto para 10 de fevereiro.
O vereador Samir Bestene afirmou que, apesar de a Câmara ter aprovado subsídios, financiamentos e autorizações para investimentos no sistema, os problemas persistem. Segundo ele, somente em subsídios, os repasses ao transporte coletivo já se aproximam de R$ 150 milhões.
“A Câmara já deu todo o suporte necessário ao transporte público. A pergunta que fica é: cadê os recursos para a compra dos 51 novos ônibus que foram autorizados por esta Casa?”, questionou. Samir também alertou para a proximidade do fim do contrato emergencial. “O contrato vence no dia 10 de fevereiro e, até agora, não há uma resposta concreta. Quem está pagando essa conta é a população.”
O vereador André Kamai elevou o tom do debate e afirmou que, após quase quatro anos sem licitação, já não acredita que a falta de avanço seja apenas técnica. “Depois de quase quatro anos aguardando uma licitação, estou convencido de que ela não acontece porque há quem não queira que ela aconteça”, disse.
Kamai destacou que a nova Lei de Licitações está em vigor desde 2021 e poderia ter sido utilizada pela Prefeitura. “Isso já passou de qualquer limite. Não dá mais para expor a população a risco real dentro de ônibus sucateados”, afirmou, anunciando que prepara uma representação ao Ministério Público para questionar a condução do processo.
A vereadora Lucilene Vale reforçou o impacto direto do problema no cotidiano da população e dos trabalhadores do sistema. Moradora do Segundo Distrito, ela relatou que a situação é visível todos os dias. “Todos os dias vemos ônibus quebrados nas ruas, pessoas chegando atrasadas ao trabalho e trabalhadores sem direitos básicos garantidos”, disse. A parlamentar também mencionou denúncias de atraso salarial e falta de recolhimento de FGTS. “Estamos falando de pessoas que carregam vidas dentro desses ônibus. Se acontecer um acidente, quem vai se responsabilizar?”, questionou.
Já o vereador Felipe Tchê lembrou que a Câmara aprovou os subsídios ao transporte coletivo acreditando que os recursos seriam revertidos em melhorias. “Esta Casa aprovou os subsídios de boa-fé, confiando que o dinheiro seria aplicado em benefício da população”, afirmou. Segundo ele, emendas chegaram a condicionar repasses ao avanço da licitação, mas o compromisso não foi cumprido. “Seis meses depois, não vimos o cumprimento das condições. É hora de uma postura mais enérgica, seja da base ou da oposição”, completou.
Ao longo da sessão, os parlamentares defenderam medidas mais duras, como o avanço de uma CPI e maior pressão institucional sobre a Prefeitura e a RBTrans, para evitar nova renovação do contrato emergencial sem contrapartidas. Com o prazo se aproximando, o transporte coletivo deve seguir no centro das discussões nos próximos dias, sob cobrança direta do Legislativo e da população de Rio Branco.
