Porto Acre entra no mapa da soja e movimenta R$ 5,9 milhões em 2025

Foto: Internet

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O primeiro Boletim de Grãos do Acre, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faeac), revelou uma novidade que muda a geografia da produção no estado: Porto Acre, que não registrava nenhuma saída de soja em 2024, cravou R$ 5,91 milhões em escoamento interestadual apenas no primeiro semestre de 2025. O salto marca a entrada do município no mapa produtivo da oleaginosa e evidencia a expansão do cultivo em áreas antes restritas a outras atividades agropecuárias.

O avanço tem explicações no campo e na logística. Produtores locais investiram na conversão de áreas de pastagem em lavouras mecanizadas, aproveitando o ciclo favorável de preços da soja no último biênio e a melhoria gradual na infraestrutura de transporte em direção a Rio Branco e Senador Guiomard. Ao mesmo tempo, empresas de insumos e assistência técnica passaram a enxergar Porto Acre como fronteira viável de expansão, levando sementes adaptadas e apoio para manejo em solos que até pouco tempo não estavam no radar da produção de grãos.

Os números reforçam o movimento. Entre janeiro e junho, o Acre movimentou R$ 53,8 milhões em soja no comércio interestadual, com Rio Branco na liderança (R$ 19,3 milhões), Senador Guiomard em segundo (R$ 15,3 milhões) e, agora, Porto Acre já aparecendo em terceiro. O desempenho local é significativo porque representa a diversificação do polo produtivo do Baixo Acre, que deixa de depender apenas dos municípios tradicionais e passa a distribuir melhor a base agrícola.

A entrada de Porto Acre no circuito da soja também abre novas perspectivas econômicas. Além de gerar receita imediata, o movimento atrai o olhar de tradings e pode estimular investimentos em armazenagem e infraestrutura rodoviária. Para os produtores, a aposta é de que o município mantenha ritmo de expansão, consolidando-se como alternativa de escala em uma região próxima ao mercado consumidor e aos corredores logísticos de saída da safra.

Mais que estatística, Porto Acre começa a redesenhar a geografia do agronegócio no Acre, mostrando que a soja se consolida não apenas em volume, mas em território, alcançando municípios que até pouco tempo ficavam à margem da fronteira agrícola.

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