Foto: Arquivo/Polícia Civil
A Polícia Civil do Acre identificou, na manhã desta quarta-feira (14), um depósito clandestino utilizado para armazenar medicamentos e insumos hospitalares de origem suspeita em Rio Branco. O local funcionava em um imóvel na região da Gameleira, no Segundo Distrito da capital, e seria parte de um esquema investigado por desvio de materiais da rede pública de saúde.
Durante o cumprimento de mandados judiciais, os policiais encontraram grande quantidade de medicamentos, materiais descartáveis e insumos hospitalares acondicionados de forma irregular, em caixas de papelão e sacos plásticos. O imóvel estava fechado no momento da ação e não havia pessoas no local.
Entre os itens apreendidos estavam sensores de glicose, seringas, luvas, ampolas de medicamentos, algodão e outros materiais de uso hospitalar. Parte das embalagens estava violada, com produtos abertos e espalhados pelo espaço. Todo o material foi recolhido com o auxílio de um caminhão e encaminhado a um depósito da Polícia Civil, onde será catalogado e periciado.
A ação integra mais uma fase da operação que apura um esquema de desvio de medicamentos e insumos da rede pública de saúde do Acre. Após a diligência na Gameleira, as equipes policiais se deslocaram para a região da Baixada da Sobral, onde também foram cumpridos novos mandados judiciais relacionados à investigação.
As apurações tiveram início no fim de 2025, após a identificação de indícios de desaparecimento recorrente de medicamentos em unidades de saúde do estado. No início de janeiro, a Polícia Civil realizou buscas em um imóvel na Baixada da Sobral, onde foram encontradas diversas caixas de remédios de alto custo, incluindo medicamentos para tratamento oncológico e hemodiálise, além de materiais hospitalares variados. Na ocasião, um idoso foi preso em flagrante, suspeito de atuar como receptador, e posteriormente passou a responder ao processo em liberdade, com monitoramento eletrônico.
Segundo a polícia, há indícios de envolvimento de servidores públicos no esquema, e as investigações apontam que os desvios podem ter ocorrido de forma sistemática desde 2023. O valor estimado dos medicamentos apreendidos pode ultrapassar R$ 1 milhão, conforme avaliação preliminar dos investigadores.
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre informou que há suspeitas de que os materiais tenham sido desviados de unidades como o Pronto-Socorro de Rio Branco, a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A pasta afirmou ainda que os desvios impactaram diretamente o atendimento à população, uma vez que medicamentos previstos nos estoques não chegavam aos pacientes.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar a origem dos materiais, mapear o fluxo de distribuição dos medicamentos desviados e apurar se o esquema alcançou unidades de saúde do interior do estado. Novas diligências não estão descartadas. (Com informações g1)
