Luigi Gabriel foi encaminhado à UPA quase três horas depois do acidente; Samu e Secretaria de Educação também abriram apurações
A Polícia Civil do Paraná investiga se houve omissão ou demora no socorro a Luigi Gabriel da Cruz Sales, de 12 anos, que morreu após sofrer uma queda durante uma brincadeira no Colégio Estadual Professor Basílio Chrum, em Castro, nos Campos Gerais. Segundo o delegado Marcondes Alves Ribeiro, o acidente aconteceu por volta das 13h40 de 25 de setembro, mas o estudante só foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) às 16h25.
O atendimento também motivou a abertura de um procedimento administrativo interno pelo Samu. Conforme o delegado, o serviço foi acionado, mas não enviou uma equipe por considerar inicialmente que o quadro não era grave. A Secretaria de Estado da Educação instaurou uma comissão e informou que funcionários prestaram os primeiros atendimentos, chamaram o Samu e receberam orientação para encaminhar o menino à UPA.
As câmeras de segurança registraram a queda. De acordo com a descrição feita pela polícia, os estudantes se revezavam em uma brincadeira na qual quatro colegas puxavam pelas mãos uma criança abaixada, impulsionando-a para que levantasse e voltasse ao chão em pé. Na vez de Luigi, ele caiu de frente. “Nesse momento ele já começou a passar mal de dor”, relatou Ribeiro. As gravações do acidente não foram divulgadas.
Após passar pela UPA de Castro, Luigi foi transferido para o Hospital Universitário Regional de Ponta Grossa. Ele permaneceu internado por mais de uma semana e, segundo a Secretaria de Educação, teve a morte cerebral declarada no domingo (4). A Secretaria Municipal de Saúde informou que a UPA não recebeu contato direto antes da chegada do estudante e se colocou à disposição da investigação.
A Polícia Civil solicitou prontuários médicos, exame de necropsia e registros do Samu para esclarecer a causa da morte e avaliar possíveis falhas no socorro. Familiares, funcionários do colégio e policiais que atenderam a ocorrência serão ouvidos. A queda é tratada inicialmente como acidente, sem indícios preliminares de intenção dos colegas de ferir Luigi. Não há conclusão sobre responsabilidade pela morte.
Na segunda-feira (5), o colégio suspendeu as atividades regulares e ofereceu acolhimento e apoio psicossocial à comunidade escolar. A Secretaria de Educação lamentou o falecimento e informou que acompanha o caso.
