Rio Branco, Acre - terça-feira, 14 abril, 2026

Polícia aprofunda investigação e analisa celulares em caso de desvio de medicamentos no Acre

Foto: PCAC

Foto: PCAC

Mais de três meses após a descoberta de um depósito clandestino de medicamentos em Rio Branco, a Polícia Civil do Acre segue aprofundando as investigações sobre um possível esquema de desvio de remédios e insumos hospitalares no estado.

O caso teve início com a prisão de um idoso suspeito de manter uma espécie de farmácia irregular em sua residência. Desde então, a polícia passou a analisar aparelhos celulares e outros materiais que podem ajudar a identificar a participação de mais envolvidos no suposto esquema.

De acordo com as apurações, há indícios de que medicamentos de alto custo, incluindo itens utilizados em tratamentos oncológicos e de hemodiálise, além de materiais como luvas, gazes e outros insumos, tenham sido retirados de forma irregular de unidades públicas de saúde desde 2023. Entre os locais citados nas investigações estão a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, o Pronto-Socorro e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

O delegado responsável pelo caso, Igor Brito, informou que diversas pessoas já foram ouvidas ao longo do inquérito. Algumas delas são investigadas por possível receptação, mas, até o momento, não houve novas prisões. O suspeito inicialmente detido foi liberado após audiência de custódia e responde ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico.

As investigações também analisam a possível participação de servidores públicos, hipótese que ainda está sendo apurada. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo estimado pode chegar a cerca de R$ 10 milhões.

Parte dos medicamentos apreendidos permanece sob custódia da polícia, enquanto outra quantidade foi armazenada em local seguro da Secretaria de Estado de Saúde do Acre. A corporação já solicitou a devolução oficial dos itens ao sistema público de saúde.

O ponto central da investigação foi a localização, em janeiro deste ano, de um imóvel utilizado como depósito clandestino na região da Gameleira, no Segundo Distrito da capital. No local, os agentes encontraram grande quantidade de medicamentos e materiais hospitalares armazenados de forma inadequada, em caixas e sacos, alguns já violados ou abertos.

Durante a operação, também foram cumpridos mandados judiciais em outros endereços ligados aos investigados. Todo o material recolhido foi encaminhado para perícia e catalogação.

A Polícia Civil informou que o caso segue sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações. Novas oitivas e diligências devem ser realizadas nos próximos dias, com o objetivo de esclarecer a extensão do esquema e responsabilizar os envolvidos.

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