Piscicultura entra em 2026 com preços em recuperação e cenário favorável ao produtor

Foto: Internet 

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A piscicultura brasileira inicia 2026 em um ambiente de maior confiança, impulsionada pela recuperação dos preços pagos ao produtor, pela demanda interna aquecida e pela perspectiva de custos produtivos mais equilibrados. A avaliação é da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), que projeta continuidade dos investimentos e maior organização da cadeia ao longo do ano.

Segundo o presidente da entidade, Francisco Medeiros, o último trimestre de 2025 marcou uma virada importante para o setor, com reajustes sucessivos nos preços ao produtor. O movimento foi sustentado pelo consumo interno consistente, mesmo diante das restrições no poder de compra da população.

“O mercado respondeu positivamente no fim do ano passado, o que permitiu ao produtor manter investimentos e atravessar o período com maior previsibilidade. Esse ambiente se reflete agora em um início de 2026 mais equilibrado”, avalia Medeiros.

No comércio exterior, a piscicultura nacional manteve sua presença após ajustes realizados em 2025, especialmente nas exportações para os Estados Unidos. De acordo com a Peixe BR, houve avanço nas vendas para o Canadá e abertura de negociações com novos mercados, ampliando as possibilidades de diversificação dos destinos.

Um dos focos estratégicos para o crescimento das exportações é o filé congelado, produto que ainda representa uma parcela reduzida do volume embarcado, mas apresenta potencial de expansão, sobretudo nas Américas. A expectativa do setor é ampliar a competitividade desse item nos próximos anos.

O cenário produtivo também contribui para o otimismo. As projeções climáticas indicam condições favoráveis, enquanto a expectativa de uma boa safra de grãos tende a aliviar os custos da ração, principal componente do custo de produção na piscicultura. A estabilização desses preços é considerada fundamental para a rentabilidade da atividade.

Na área sanitária, a avaliação é de avanço contínuo, com adoção de novas tecnologias, melhoria na gestão e fortalecimento das ações preventivas ao longo da cadeia produtiva. Segundo a entidade, o tema segue como prioridade diante dos desafios crescentes do setor.

Para 2026, a Peixe BR mantém a competitividade como eixo central de sua atuação institucional. A entidade busca ampliar o acesso da piscicultura brasileira aos mercados interno e externo, garantindo que os ganhos econômicos cheguem efetivamente ao produtor. O trabalho, segundo a associação, é resultado de uma construção iniciada há mais de uma década.

Apesar do cenário positivo, a entidade aponta a regulação governamental como um dos principais entraves ao crescimento do setor. A atuação institucional seguirá concentrada na redução de gargalos regulatórios, tanto em âmbito estadual quanto federal.

Além da agenda institucional, a associação mantém projetos estruturantes nas áreas de genética, tecnologia e mercado, com foco em eficiência produtiva, inovação e fortalecimento da piscicultura nacional.

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